Santos, 1º de agosto de 2018: o auge do Manobol

Thiago Pereira / 03/08/2018 - 17h48

Um jogo, em uma cidade, às 19h30. O que parecia ser apenas uma quarta-feira comum, um abre alas para o mês de agosto, se transformou em um momento histórico para os apreciadores do futebol em geral, e para nós cruzeirenses, em particular.

Os mais apressados– distraídos, eu diria–podem dizer que estamos falando da primeira presença do VAR em um jogo do futebol brasileiro, aquela coisa simpática que nós habituamos ver durante a já saudosa Copa da Rússia. Mas falo aqui de uma outra marca fundamental para a mítica do esporte mundial. Podem anotar, senhores, senhoras e senhrxs: no dia 1º de agosto de 2018, para uma infelizmente vazia Vila Belmiro (diante da dimensão grandiosa do acontecimento), na cidade de Santos, estado de São Paulo, o povo de todo planeta pôde acompanhar o auge do Manobol. 

Para quem anda distraído em relação à atualização dos verbetes fundamentais na Grande Enciclopédia do Ludopédio, Manobol é uma invenção do treinador gaúcho Luiz Antônio Venker Menezes, que ganhou grande relevo durante sua passagem pelo Cruzeiro (2016- até o presente momento). 

A ilustração perfeita desta prática está na profusão de placares mínimos em jogos de futebol: a vitória por 1 a 0 é Manobol em estado bruto, emocionante, palpável. Exemplo clássico disso, foi uma declaração que ele deu após a vexatória vitória de seus comandados por 7 x 0 contra a Universidad de Chile, em abril deste ano: “Eu prefiro ser um retranqueiro do que perder o emprego”.

Alguns diriam ser uma manifestação genuína e fundamental do que é chamado de “futebol moderno”; ou seja é sinônimo de estratégia, pragmatismo, racionalidade e demais termos que possam vestir de forma mais elegante a palavra retranca. 

Mas na verdade, foi o próprio autor que deu a medida exata para esta prática. No ano passado, após vitória contra o São Paulo no Morumbi, pela Copa do Brasil, um jogo marcado pela “solidez defensiva” e pelo “comprometimento tático”, o inventor do Manobol não deu deixas para dúvidas de sua patente: “My name is Mano Menezes”. 

Na quarta-feira esse nome, sob a ótica manobolística, ressoou mais alto e firme do que nunca. Afinal, é até difícil falar do jogo contra o Santos sem destacar a perspectiva pragmática, base teórica fundamental para o Manobol como conceito. Nessa direção, foi um jogo repleto de pequenos brilhos, discretos mas emocionantes para os seguidores da seita. Bons desarmes de Lucas Romero e Egídio; outra boa partida do Dedé, uma defesa simplesmente espetacular do Fábio...e, bem, é isso aí!

Ah, claro, o ponto alto foi o gol do menino Raniel. Um lindo gol, jogada de pivô clássica com uma batida preciosa para as redes de Vanderlei. Mas toda a plástica da jogada fica em segundo plano quando, ao final do jogo, a imagem do placar resplandesce: Cruzeiro 1 a 0. Uma beleza sem precedentes.
Tirante isso, tratou-se de um dos jogos mais deprimentes dos últimos tempos, um mau trato à visão daqueles que não são fervorosos do Manobol. Assistir, na sequência, a disputa entre Grêmio e Flamengo pelo mesmo torneio, apenas confirmou isso. Mas é aquela história: quem foi dormir com um pezinho na semifinal da Copa do Brasil fomos nós.

E mais do que nós, ele, o atual campeão do torneio, diga-se: Mano Menezes o inventor do Manobol. Seguidor da lógica “quem gosta de poesia é o outro; gosto mesmo é de títulos”, deixo meus aplausos por aqui. Mas com uma dorzinha no olho ainda...

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