A difícil tarefa de desagradar a ‘opinião pública’

Tiago Mitraud / 03/07/2019 - 06h00

Completamos nesta semana cinco meses de legislatura. É um tempo relativamente curto, comparado aos 48 meses de mandato que temos a cumprir, mas já foi suficiente para sentir boa parte dos desafios que teremos.

Um deles é a repercussão das nossas votações em Plenário. Acredito que todo deputado deve explicações à sociedade sobre sua atuação, mas alguns temas exigem uma atenção maior que outros, por serem mais polêmicos ou por terem gerado uma mobilização maior da sociedade na sua discussão.

Ao contrário de muitos deputados que não foram tão explícitos no período eleitoral sobre temas delicados, nós do Novo procuramos deixar claro as bandeiras que defendemos. Sempre fomos abertamente favoráveis à reforma da Previdência, às privatizações e ao ajuste fiscal, por exemplo. Quando nos questionam sobre isto, é fácil fazer referência ao que falamos antes das eleições.

Porém, muitos assuntos só surgem no dia a dia da Câmara, e nem sempre a população tem clareza de como iremos nos posicionar. Por vezes, esperam que votemos de uma forma, mas ao analisarmos o texto e nos balizarmos nos princípios do partido, chegamos à conclusão de que o mais correto é votarmos de forma contrária à opinião pública. Nestes casos, é ainda mais importante expormos os fundamentos de nossas posições impopulares.

Recentemente, tivemos mais um episódio nessa linha, ao votarmos os projetos elaborados pela Comissão Externa de Brumadinho. Após alguns meses de trabalho, a comissão enviou um conjunto de projetos ao Plenário. A comoção gerada pelo desastre e mesmo a atitude populista de alguns deputados criaram um clima em que votar contra os projetos transmitia a imagem de “ser contra a responsabilização dos culpados”. Porém, as propostas em votação tinham diversos problemas no texto, além de serem contra vários dos princípios por nós defendidos. Portanto, votar a favor seria ir contra o que acreditamos.

Mesmo nos vendo na situação de desagradar a opinião pública, não pensamos duas vezes. Não poderíamos votar a favor dos projetos simplesmente por pressão. O que fizemos foi mergulhar nos textos e propor melhorias. Conseguimos modificar alguns, e votamos de forma favorável a eles. Outros, não fomos bem sucedidos nas negociações, e votamos contra.

Não foi a primeira vez e certamente não será a última. Portanto, é importante deixar claro: sempre iremos nos ater aos nossos princípios, ainda que por isso seja necessário nos explicar diante dos brasileiros. Quem tiver dúvidas, não deve hesitar em nos perguntar, pois sempre haverá uma explicação razoável para nossos posicionamentos e que jamais irá contra os princípios e valores que defendemos.


 

 

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