Educação na pandemia: parabéns para Minas! Já as federais…

Tiago Mitraud / 20/05/2020 - 06h00

Às 7h30 da manhã da última segunda-feira ia ao ar pela Rede Minas a primeira aula do "Se Liga na Educação". O programa representou a retomada das aulas para os 1,7 milhão de alunos da rede estadual, após a suspensão das atividades presenciais devido à Covid-19.


Além da transmissão pela TV, o Governo de Minas também oferece acesso às teleaulas pelo aplicativo para celular Conexão Escola, com a navegação custeada pelo governo, pelo Youtube e pelo site Estude Em Casa, além da distribuição de apostilas físicas para quem não tem acesso à internet nem à TV.


Toda a distribuição, online e impressa, será monitorada pela Secretaria de Educação para garantir que ninguém ficará para trás. Esta nova realidade foi concebida do zero e operacionalizada em dois meses, demonstrando a preocupação e empenho do Governador Zema, da Secretária Julia Sant'anna e de toda a rede para que os alunos não fiquem sem aulas.


No âmbito do Ensino Superior, as universidades privadas, que em sua grande maioria atendem alunos de baixa renda, estão quase 100% funcionando no formato não presencial. Já as públicas, vão na direção oposta. Ainda que muitas federais estejam desenvolvendo pesquisas essenciais para o combate ao coronavírus, no plano do ensino a regra tem sido a inação. 


Dados do MEC revelam que 8 em cada 10 institutos e universidades federais simplesmente suspenderam as aulas, a maioria sem qualquer previsão de retorno às atividades.


As justificativas para tal decisão destoam dos esforços das redes da Educação Básica, que enfrentam realidade ainda mais complexa para garantir a oferta do ensino e, ainda assim, não desistiram de alcançar os estudantes. Entre os argumentos das federais temos: "os professores não tiveram treinamento", "muitos alunos não têm internet", "a pandemia nos pegou de surpresa", "é complicado migrar para o ensino remoto".


Ora, os professores da rede estadual de Minas também não tinham treinamento antes, mas estão se adaptando. Todos foram pegos de surpresa, e ninguém falou que seria fácil. Além disso, dados da Andifes (Associação dos Reitores de Federais) mostram que quase 90% dos alunos das federais possuem acesso a computador e internet. Para os 10% que não possuem devemos oferecer soluções, como é o caso do IFSULDEMINAS, por exemplo, um dos poucos a manter as aulas, que ofereceu uma "bolsa-internet" de R$50 ao mês para quem não tem acesso à rede.


A adaptação não é fácil para ninguém, mas não podemos condenar tantos alunos a ficar sem aula. O discurso de "equidade" e "justiça" para todos, tão presente em boa parte das universidades públicas, não deveria levá-las a nivelar a oferta por baixo, mas sim a buscar alternativas para que todos possam dar continuidade aos estudos mesmo durante a pandemia.

 

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