A pergunta foi: o que te faz viver?

Tio Flávio / 19/04/2019 - 06h00

Fui convidado a fazer uma palestra no TEDx PucMinas, em Belo Horizonte, ao lado de pessoas com histórias maravilhosas. Seriam duas sequências de dez palestras, cada uma com 18 minutos, sempre inspiradas por uma vivência/estudo/experiência. Comecei a pensar sobre a minha apresentação. Foi aí que surgiu a ideia de pesquisar, junto a pessoas assistidas pelo Tio Flávio Cultural, algo que sempre me deixou intrigado: o que os motiva a viver? 

Saí perguntando para pessoas que moram nas ruas, idosos, jovens em casas de acolhimento, pessoas privadas de liberdade ou que já estejam de volta ao convívio da sociedade. 

A resposta muitas vezes foi: “esta é uma pergunta muito difícil” ou “você me pegou desprevenido” e, ainda, “nunca tinha parado para pensar sobre isso”. Muita gente nunca havia elaborado, mentalmente, ao menos conscientemente, uma resposta para o que as faz viver. Pedi para que excluíssem “Deus” da resposta e percebi que a palavra mais citada foi “esperança”.


Uma pessoa que se afastou da família, que teve uma decepção e preferiu se “isolar” do mundo formal, indo morar nas ruas, quer um dia poder reconstruir a família, mostrar para alguns que ainda é capaz de ser um filho, um pai, um esposo. Mas, no momento em que se encontra, não se sente preparado para isso. A esperança de reencontrar o filho, de ter o perdão de alguém os mantém vivos.


Um jovem que está num abrigo, mesmo que órfão, quer mostrar para a sociedade que ele pode, que ele consegue. É uma espécie de ressentimento com o que lhe aconteceu no passado, mas de vontade de revanche para o que pode vir a acontecer.

Uma pessoa que descobre o câncer, quando consegue perceber um motivo ou razão na vida, muitas vezes os próprios filhos, não se dá ao direito de morrer. Não por enquanto. A esperança é que o tratamento seja eficiente e que sua força vença a doença, para não deixar desamparados os que tanto ama. 

Trarei, na outra semana, outras constatações. Mas, o interessante, também, é perceber que sempre há alguém, mesmo que as pessoas pareçam sozinhas, que direta ou indiretamente mantém acesa essa vontade de viver.

 

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