Cortar na educação, não!

Tio Flávio / 12/04/2019 - 06h00

Por mais crises financeiras que uma cidade, estado ou país enfrente. Por mais descasos que governos subseqüentes tenham feito ou por mais que a máquina pública esteja sucateada, cortar na educação é um desserviço descomunal.

Estamos perdendo, a cada dia, o senso de humanidade. Estamos vivendo em redomas, bringando por interesses mesquinhos, correndo, preocupados com as contas a serem pagas, levando um dia após o outro. 

Estamos num país em que se comemora a morte de 11 assaltantes, em que se lamenta de não terem sido os 25 envolvidos num roubo no interior paulista, mas que não se chora quando crianças deixam de ir às escolas. 

Onde está o nosso lamento quando adolescentes precisam descobrir caminhos e fazer escolhas, ainda muito sem rumo, carregando uma busca incessante e uma tentativa de descoberta dentro de si, numa família que já não o ampara e num mercado que não o emprega? 

Muitas dessas crianças e jovens buscam um lugar onde alguém os enxergue,  percebe e valorize. 

Se este lugar de valorização não passar pela escola, se o professor e a escola não conseguirem cumprir também esse papel, não faltará oportunidade para que o crime os abrace. 

Conheço jovens que nunca souberam o que é amor na vida e viram num professor a melhor referência que a vida os deu. Eles têm, na escola, a possibilidade de valorização de suas habilidades e talentos. 

Quando a gente vê crescer a criminalidade, quando não há emprego e as pessoas não têm acesso à saúde. Quando as instituições sociais lutam às mínguas, sem nem o reconhecimento, quanto mais o investimento, governamental, já estamos em situação crítica. 

Num cenário dantesco desses, ainda vem alguém com a proposta de reduzir o investimento em escolas integrais e integradas, tirando adolescentes de um ambiente onde eles vêem na música, no esporte, nas artes a valorização que nunca teve, inclusive de si próprio.

Estamos perdendo jovens para o crime, estamos perdendo jovens para a depressão e o suicídio e o governo cruza os braços, joga nas mãos de ONGs, movimentos, instituições sociais e iniciativas populares. As conseqüências desse descaso serão lastimáveis hoje, mas irreversíveis amanhã.

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