Não só no Natal

Tio Flávio / 13/12/2019 - 06h05

O Natal sensibiliza muito as pessoas. É um momento que possuiu um amplo sentido: nos faz refletir e, em alguns casos, nos ajuda a redimir de algumas culpas que porventura a gente vai acumulando no decorrer do ano. É como se no novo ano tudo fosse zerado e, assim, teríamos uma nova jornada pela frente, para acumular ou gastar nossos “bônus”.

Quando me perguntam se há problema nisso, em fazer o bem apenas no fim de cada ano ou quando uma tragédia acontece, a minha resposta é que sim, com certeza. Mas a consideração que faço é: fazer o bem não significa doações ou trabalho voluntário. Isso vem da mentalidade, da personalidade do indivíduo, que pode não ir a nenhuma instituição social frequentemente, mas suas ações diárias não produzem impactos negativos nele e nem nos outros, conhecidos ou não.

Dedicar o seu tempo a questões sociais somente no fim do ano ou mobilizar-se para ajudar pessoas desconhecidas apenas em virtude de uma fatalidade, não fará de você uma pessoa má para a eternidade. E, convenhamos, não o torna ruim no presente.

Na verdade, ao se dedicar a causas humanas e solidárias, quem mais ganha é justamente quem o faz. As doações, sejam de tempo, talento, dinheiro, algo material, sempre serão bem-vindas nas instituições sociais. Inclusive essas organizações precisam muito dessa ajuda para conseguirem manter suas atividades funcionando.

O ato de doar já significa um trabalho íntimo muito grande, que às vezes nem é tão simples como parece, quando um filho tem que se desfazer de pertences que eram de um pai ou mãe, quando uma mãe busca uma instituição para doar roupas e brinquedos que eram de um filho que não está mais entre eles.

Seria muito bom que o espírito natalino fosse parte da cultura e do caráter das pessoas, o que faria com que nós pudéssemos nos preocupar com o tanto de lixo que produzimos, com o consumo desenfreado e voraz, com as palavras pouco pensadas e indevidamente empregadas, com o ódio que disseminamos e absorvemos, com a nossa falta de tempo de ficar mais próximo de quem nos faz bem.

Seria um presente natalino, vivido todos os dias, se a gente pudesse se respeitar mais, cuidar da nossa saúde física, mental e emocional. Como diz um provérbio chinês: antes de sair por aí mudando o mundo, dê três voltinhas em casa.

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