O lado humano de uma tragédia

Tio Flávio / 01/02/2019 - 07h00
Quando alguma instituição precisa de um tipo de ajuda, seja para conseguir uma bolsa de um curso para um adolescente em abrigo, fraldas geriátricas para um asilo, cadeira de rodas emprestada para uma pessoa que veio do interior ou alguma doação profissional, como um dentista para uma criança que necessita desse apoio, dentre outras demandas, há sempre pessoas disponíveis a ajudar e que se apresentam voluntariamente.
 
]Porém, o que aconteceu com a cidade de Mariana, em 2015, e o que está ocorrendo agora em Brumadinho nos faz refletir que a sociedade não está perdida, como algumas vezes podemos alardear nas redes sociais. 
 
Por muitos momentos e pela ocorrência de vários fatos, ficamos atordoados com notícias pavorosas de corrupção, delitos e atrocidades no nosso cotidiano, até mesmo banalizando crimes e vicissitudes, mas nos esquecemos de olhar o tanto de gente anônima que trabalha todos os dias fazendo tanta diferença na vida de muitos.
 
Sei que teve gente que tentou e tentará se aproveitar da situação, sei que há o descaso de empresas, sei que nem tudo são flores. Mas por colocarem os holofotes nos pontos ruins, achamos realmente que não temos uma solução e estamos perdidos como humanidade. Mas temos.
 
Em Brumadinho, especificamente, acompanhei de perto o esforço de voluntários e entidades de classe, que foram rápidos e se prontificaram em ouvir os familiares, darem um abraço, arrecadarem material, roupa, alimentos. Tudo isso foi amplificado, pois outros estados entraram na ciranda do bem, nesse momento que é de devastação ambiental, animal e humana, que destruiu a gente por dentro. 
 
Não sei onde bombeiros, profissionais da defesa civil, psicólogos, assistentes sociais, jornalistas e voluntários que estão atuando em Brumadinho etc, tiraram forças, já que eles, ali no dia a dia, foram devastados emocionalmente, porém não deixaram de fazer o trabalho com tanta garra. Como disse Guimarães Rosa, “Viver é rasgar-se e remendar-se”. Acredito que tenha sido isso: as pessoas foram ao chão ao receberem a notícia trágica, mas juntaram sua dor e sua empatia e se reconstruíram para ajudar quem perdeu casa, documentos, filhos, família, vida e identidade.
 
O meu respeito aos voluntários, profissionais e pessoas que à sua maneira ajudaram e ajudam a termos mais esperança nas pessoas.
 
 
 
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