Precisamos de mais utopia

Tio Flávio / 02/11/2018 - 07h00


Yuval Harari, em seu livro Homo Deus, fala da falta de utopias (lugar ideal) realmente motivadoras, dando espaço a mais visões de distopias. As pessoas e empresas estão obcecadas em atingir alvos e aumentar o desempenho. As TVs e jornais só se preocupam com os números das vendas e da audiência. Hospitais, escolas e produtores culturais tornaram-se, em boa parte, fábricas em busca de resultados mensuráveis. O Estado busca desajeitadamente corrigir os sintomas, em vez de buscar as causas.

Os índices de depressão não param de crescer e as mentes mais brilhantes do planeta estão pensando em como fazer as pessoas clicarem em um anúncio. Ao mesmo tempo, se em 1950 a gente perguntasse a um adulto se ele era uma pessoa especial, 12% responderiam que sim. Em 2010, 80% concordaram com a afirmação.

A partir daí Rutger Bregman, no livro “Utopia for realists and how we can get there”, imagina formas de construir uma nova utopia a partir de informações sobre a situação atual. Ele critica o Produto Interno Bruto que, ao mesmo tempo que revela muitas informações, esconde outras igualmente importantes; faz muitas ressalvas ao índice criado no Butão, a Felicidade Interna Bruta, e por aí vai. Diz que sem utopia estamos perdidos e sem objetivos. Precisamos de desafios e de mudança, precisamos de planos e objetivos.

O autor cita outros estudos que mostram que, quando uma pessoa não tem o básico para a subsistência, ela não consegue pensar direito e calcular o impacto a médio e longo prazo das suas decisões. Aliás, ela mal consegue tomar decisões. A falta de dinheiro para as questões fundamentais da vida monopoliza o cérebro em busca de uma solução. Ele fala que a desigualdade extrema é ruim, mas não pode ser eliminada por uma questão de justiça; os trabalhos, resultados e valores são diferentes. Um médico não pode ganhar o mesmo que um varredor de rua por conta do período de investimento em qualificação. Pelo bem da nossa própria saúde (inclusive a do varredor). Mas ambos precisam viver com dignidade.


São, sem dúvida, muitos questionamentos a partir da leitura do autor, trazidas pela doutora Lígia Fascioni (WWW.ligiafascioni.com.br) para a nossa reflexão.
 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários