Precisamos de utopia

Tio Flávio / 26/10/2018 - 07h00


Traremos, por duas semanas seguida, uma análise da doutora Lígia Fascioni sobre utopia, feita com base no livro de Rutger Bregman, “Utopia for realists and how we can get there”. No livro o autor traz uma visão otimista do mundo. Diz que em 99% da história, 99% da humanidade eram de pobres, famintos, sujos, medrosos, estúpidos e doentes. Mas isso mudou radicalmente nos últimos 200 anos. Em 1820, cerca de 84% da população do planeta viviam em extrema pobreza. Esse número foi reduzido para 10% hoje. É claro que ainda é muita gente, mas é uma considerável mudança. A se continuar nesse ritmo, é possível erradicar a extrema pobreza em breve.

Depois dessa empolgante introdução, o autor explica a utopia do título. É que a palavra utopia significa mais ou menos o mesmo que paraíso, a terra ideal. Na cidade ideal, chamada Cockaigne, comida estaria disponível o tempo todo, o clima seria controlado e sempre agradável, o amor seria livre, haveria salário sem trabalho e cirurgias plásticas estariam ao alcance de todos para preservar a juventude. A questão é que, nos dias atuais, pelo menos para boa parcela da população (a que decide), Cockaigne já existe. Essa fantasia medieval tornou-se muito próxima da realidade, apesar dos muitos, indesejados e imprevistos efeitos colaterais (poluição, obesidade, ansiedade, esgotamento dos recursos naturais, entre outros).

Até os milagres da Bíblia já estão ao alcance de muita gente: paralíticos que passam a andar (com o auxílio de exoesqueletos e outras tecnologias), doentes que são curados, cegos que podem voltar a ver; até animais extintos podem voltar a existir pela recuperação do DNA. Seis bilhões de pessoas, num mundo de 7 bilhões, possuem telefone celular. A expectativa de vida em 2012 (70 anos) era o dobro do que em 1900. A parcela da população que sobrevivia com menos de 2000 calorias por dia passou de 51% em 1965 para menos de 3% em 2005. Um dos problemas que enfrentamos hoje é justamente a falta de utopias realmente motivadoras; temos mais visões de distopias, mas esse será o tema de uma outra conversa.

 
 

 

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