Frente ampla para tirar o Brasil da crise

Wadson Ribeiro / 11/07/2019 - 06h00

Um país cada dia mais dividido. É o que mostra a última pesquisa do Instituto Datafolha, quando analisa a percepção dos brasileiros sobre a realidade política atual. A ausência de um governo forte, com um projeto de nação bem definido e pactuado, mergulha o país numa crise de largas proporções. A debilitada situação da economia e as frequentes crises causadas pelo núcleo palaciano, como a última causada pelas revelações do site Intercept, já fazem de Bolsonaro o presidente mais impopular desde o governo do ex-presidente Fernando Collor.

Hoje, de acordo com a pesquisa, 33% dos brasileiros avaliam o governo como ótimo ou bom, outros 31% avaliam como regular e outros 33% como ruim ou péssimo. Apesar de um aumento no desgaste na imagem pessoal de Bolsonaro e da elevação de 3% daqueles que acham seu governo ruim ou péssimo, no geral, os dados se estabilizaram e cristalizam até aqui um país fragmentado em três partes.

De um lado se localiza uma base reacionária de apoio a Bolsonaro, defensora de políticas ultraliberais na economia e de uma agenda de costumes conservadores. Do outro lado, o campo progressista, que vai do Lula livre a setores de centro-esquerda com princípios democráticos e desenvolvimentistas. No meio desses pólos, entre o campo de direita e o campo progressista, conformou-se um centro político que tende a estar mais próximo da agenda econômica de Bolsonaro e mais próximo da agenda democrática defendida pelo campo progressista.

O centro político, que na esfera institucional é representado por partidos que no Congresso Nacional têm se unido à esquerda e impedido os atropelos de Bolsonaro na agenda conservadora, é o mesmo que tem sido fundamental no tramite da agenda econômica, especialmente a reforma da Previdência. Esse campo se traduz na sociedade nos 31% que avaliam como regular o governo de Bolsonaro, se comportando como um pêndulo e, portanto, ora dando governabilidade ao governo federal, ora se opondo a ele.

O desafio da oposição é construir uma unidade com o centro político do país, formando uma frente que seja capaz de impedir os retrocessos civilizatórios e abrir caminho para uma agenda única de interesse nacional no futuro.

Os índices de aprovação do governo poderão cair ainda mais, caso as revelações envolvendo Sergio Moro tomem maiores proporções. Nesse cenário, Bolsonaro teria que demitir o seu ministro da Justiça, ou mantê-lo como um auxiliar desgastado. A relação deteriorada que o ex-juiz cultivou com os parlamentares e com o Congresso Nacional pode agora cobrar um alto preço do ministro e minar uma importante base de apoio a Bolsonaro, construída desde a campanha presidencial, como comprovou as conversas gravadas de Moro.

Além da crise com Moro, outra crise que abala o Brasil é a da economia. As razões da crescente insatisfação com Bolsonaro se dão pelos milhões de desempregados e pela queda de nossa economia, que poderá ter um PIB negativo em 2019.

A miséria nas cidades brasileiras é crescente, parte da população voltou a cozinhar com lenha e a andar a pé, o custo de vida aumentou e o Brasil volta a fazer parte das piores estatísticas dos organismos internacionais. Mas isso parece não importar a um presidente que continua agindo como se estivesse em campanha eleitoral.

O Brasil precisa urgentemente construir uma frente política ampla, com a esquerda e o centro, sem hegemonismos partidários e pessoais, com todos aqueles interessados em defender a democracia, o desenvolvimento nacional e os direitos do povo. A unidade ampla é o único caminho para derrotar o fascismo e abrir caminho para um futuro com democracia, desenvolvimento, justiça e uma vida digna para cada brasileiro.

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