O triste fim do esporte nacional

Wadson Ribeiro / 09/01/2019 - 19h49

A extinção do Ministério do Esporte anunciada como uma das primeiras medidas do governo Bolsonaro, joga pelo ralo da história uma experiência positiva que nas últimas duas décadas colocou o Brasil como o epicentro dos principais eventos esportivos do mundo. Seu fim significará o aniquilamento do esporte educacional, acarretará em menor qualidade de vida para a terceira idade e diminuirá as conquistas esportivas do Brasil.

Em que pese o brasileiro ser apaixonado pelo esporte, foi penas em 2003, sob o governo do ex-presidente Lula, que o tema ganhou importância institucional enquanto política pública e foi elevado ao status de ministério. Antes disso, o tema esporte circulou por várias áreas de governo como no Ministério da Educação e no Ministério do Turismo, sempre relegado ao segundo plano. Ídolos do esporte nacional como Zico e Pelé responderam pela pasta nos governos dos ex-presidentes

Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso respectivamente, mas mesmo assim, o esporte ainda não se transformaria em um ministério próprio.
A importância da existência de um ministério como, o do Esporte, reside no fato que o esporte e o lazer estão consagrados como direitos em nossa Constituição e são indissociáveis à boa formação educacional e pessoal de cada cidadão. No esporte assim como na vida aprendemos que vivemos em coletividade e por isso ninguém faz nada sozinho. Aprendemos a respeitar o próximo e exigir respeito conosco. Aprendemos que a vida nos impõe limites, mas que com determinação e disciplina podemos superá-los. Enfim, poderíamos dizer que o esporte nos prepara para sermos cidadãos melhores, formados com os valores positivos que ele nos proporciona.

Programas como o Segundo Tempo e o Esporte e o Lazer na Cidade levaram pela primeira vez uma política pública de esporte e de lazer às regiões mais pobres do país. Através desses programas, seja nas escolas ou nas praças públicas, milhões de brasileiros tiveram acesso ao esporte e ao lazer e passaram a ter uma vida mais saudável. Atualmente a obesidade mata mais que a fome em todo o mundo. Países que não investem no esporte como forma de combater o sedentarismo e de cultivar hábitos mais saudáveis de vida terão seus sistemas de saúde colapsados e muito mais caros para o Estado.

A cada vinte mil atletas praticantes apenas um terá nível técnico suficiente para conquistar uma medalha olímpica. O Brasil precisa alargar a base de esportistas para almejar mais medalhas olímpicas. Isso só é possível com investimentos no esporte educacional, com investimentos em infraestrutura esportiva para a prática do alto rendimento em diversas modalidades, com a implantação de quadras poliesportivas e outros equipamentos em escolas e universidades e com a devida valorização do profissional da Educação Física, com melhores salários e capacitações.

Um projeto de Nação plenamente desenvolvida não poderá abdicar de um robusto aparato de investimentos públicos e privados na área esportiva. A realização das Olimpíadas e da Copa do Mundo de Futebol deixam um legado inexorável por onde passam e no Brasil não foi diferente. Esses dois eventos que projetaram uma imagem altamente positiva do Brasil para o mundo e tiveram grande impacto econômico e de modernização de nossa infraestrutura urbana, somente foi possível porque aqui havia um Ministério do Esporte respeitado e com força institucional.

Se o governo não reverter essa decisão equivocada de acabar com o Ministério do Esporte, o Brasil jogará por terra todos os avanços conquistados nos últimos anos. Será um triste fim.

 

 

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