Blog do LindenbergCarlos Lindenberg, jornalista, ex-comentarista da BandMinas e Rádio Itatiaia, e da Revista Exclusive. Autor do livro Quase História e co-autor do perfil do ex-governador Hélio Garcia.

O jogo pode zerar se Bolsonaro não indicar Alexandre Silveira

Publicado em 14/05/2022 às 06:30.

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo Ipespe está mostrando que Bolsonaro oscilou um ponto percentual nas intenções de voto e chegou aos 32 pontos, enquanto Lula se mostrou estável com 44 por cento.

Vamos abrir aqui um parêntese porque essa pesquisa não tem nada a ver com outras pesquisas que pululam por aí nos períodos eleitorais - fecha parêntese.

Mesmo dentro da margem de erro, que é sempre dois para cima e dois para baixo, em média, a oscilação de Bolsonaro fez com que a distância entre os dois chegasse a um nível igual ao de julho de 2021, que foi a maior distancia entre os dois competidores.

E o que isso quer dizer? Primeiro, que Bolsonaro, a despeito do que podem dizer outros analistas, se mantém competitivo. E não é pouco dizer que, a despeito de tudo, o ex-presidente Lula se mantém na dianteira da corrida presidencial e não será fácil tirar essa diferença, apesar de alguém dizer, como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, que até o mês de junho as contas estarão zeradas entre Lula e Bolsonaro. Pode ser, mas não se pode fazer um juramento sobre isso.

E não custa lembrar que a última pesquisa da Quaest revelou que só 58% dos que votaram em Bolsonaro em 2018 estão dispostos a repetir o voto em 2022.

Curioso notar que, sem Ciro Gomes, o ex-presidente Lula poderia ser eleito no primeiro turno, coisa aliás impensável porque ainda ontem Ciro disse que irá até o fim nessa corrida.

Em suma, isso significa que as posições entre Lula e Bolsonaro continuam inalteradas para a eventualidade de um segundo turno entre eles, ainda que a saída de Ciro Gomes pudesse decretar a vitória de Lula.

Isso mostra que a eleição continua polarizada entre Lula e Bolsonaro, a depender, no entanto, do que o ex-presidente Lula poderá arrumar aqui em Minas, onde o governador Romeu Zema continua liderando, com 41% das intenções de voto, mas o ex-prefeito Alexandre Kalil vai encurtando a distância, já agora com 30%, enquanto Carlos Viana, o candidato de Bolsonaro, soma 9 pontos, ele que começou agora a sua perseguição aos dois favoritos.

Aliás, Romeu Zema e o senador Alexandre Silveira - o pomo da discórdia do acerto de Lula com Alexandre Kalil, aqui em Minas - estiveram juntos ontem na exposição agropecuária de Curvelo.

Outro dia, Kalil disse que só espera um acordo formal com o presidente Lula para acertar os ponteiros com ele.

O problema estaria na possível indicação do senador Alexandre Silveira para a liderança do governo Bolsonaro no Senado. O que mostra que política não é coisa para amadores, sobretudo quando estão em campo profissionais como Lula, Gilberto Kassab (o presidente do PSD de Kalil), o próprio ex-prefeito e o até então neófito Romeu Zema.

Se o senador Alexandre Silveira não for indicado para a liderança de Bolsonaro no Senado, o jogo vai ficar zerado, aí sim com alguma possibilidade de chance para o senador Carlos Viana, que havia recusado a indicação para líder do governo no Senado para se dedicar à campanha ao governo de Minas.

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