Blog do LindenbergCarlos Lindenberg, jornalista, ex-comentarista da BandMinas e Rádio Itatiaia, e da Revista Exclusive. Autor do livro Quase História e co-autor do perfil do ex-governador Hélio Garcia.

Um espectro ronda o Sete de Setembro deste ano. E onde há fumaça pode haver fogo

Publicado em 04/08/2022 às 06:00.

Um espectro ronda o 7 de setembro deste ano. Órgãos de inteligência do governo federal estariam investigando possibilidades de atentados no antes colorido Dia da Pátria. A notícia é da revista VEJA, numa nota assinada pelo jornalista Matheus Leitão, em que ele diz que bolsonaristas estariam articulando atentados para gerar um factoide e com isso embaralhar mais ainda o processo eleitoral. O plano seria destinado não apenas a tumultuar o processo eleitoral, como deveria mudar o curso da eleição. 

Vejam o que diz o jornalista Matheus Leitão: “O ato criminoso seria realizado para ferir os próprios bolsonaristas, gerar pânico na sociedade e, em seguida, jogar culpa na esquerda. A suspeita foi confirmada por dois oficiais desses órgãos de inteligência, ambos com longo serviço prestado ao país, mas sem nenhum viés ideológico”.

Para quem conhece factoides desse tipo, basta lembrar o caso do Riocentro, quando militares do Exército tentaram um atentado no Rio de Janeiro no 1º de maio, durante uma manifestação sindical. Os militares deram azar porque a bomba explodiu no colo deles, dentro de um carro Puma. Isso em1981. De lá para cá, muita coisa mudou no país, o que não quer dizer que ainda assim não se possa temer pela tênue democracia que temos.

Os embates do presidente da República contra o Supremo Tribunal Federal e contra o Tribunal Superior Eleitoral são uma prova da fragilidade da democracia que temos – uma plantinha tenra no dizer do baiano Otávio Mangabeira. De forma que um espectro ronda a democracia brasileira e a denúncia do jornalista Matheus Leitão, no portal da revista VEJA, não pode ser deixada de lado, até porque há antecedentes desse tipo de ação criminosa.

E o Riocentro é o melhor exemplo, para não falar de um ex-capitão do Exército que em tempos idos ameaçou explodir bombas em quartéis e outros locais estratégicos do Rio de Janeiro, quando o Exército brasileiro estava sob o comando do ministro Leônidas Pires Gonçalves. Dizia o então ex-capitão: “Nosso Exército é uma vergonha nacional e o ministro está se saindo como um segundo Pinochet”. Isso foi em 1986. Não se pode dizer que se tenha saudades de Pinochet, óbvio, mas comparar Leônidas Pires Gonçalves a Pinochet vai uma distância enorme, até por que entre a era Pinochet e a atual as distâncias, aí sim, não são tão grandes assim.

Eleições em Minas
Um outro fato que chama a atenção, porque mexe com o quadro eleitoral de Minas, foi a escolha nessa terça-feira do senador Carlos Viana (PL) para montar no Estado o palanque para o presidente Bolsonaro na tentativa de se reeleger. Viana, que ainda não tem um vice, mas que pode ser o ex-secretário de Romeu Zema Bilac Pinto, montará o palanque de Bolsonaro em Minas, tendo, no entanto, descartado o ex-ministro Marcelo Álvaro Antônio como candidato ao Senado, optando pelo deputado estadual Cleitinho (PSC), que se destaca nas redes sociais fazendo denúncias contra obras paralisadas ou carros em desuso. E só. 

A entrada de Viana enfraquece o governador Romeu Zema porque ambos poderiam correr na mesma faixa. Mas Viana, a exemplo de Bolsonaro, deve manter um discurso mais conservador e muito centrado nas igrejas evangélicas. Por falar nisso, Bolsonaro e Viana vão estar em Montes Claros, nessa sexta-feira. 

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