Estamos no encerramento de mais uma semana no mercado financeiro, onde cada dia trouxe novos números, tensões e surpresas.
Banco Central e Caso Master: Uma Trégua Institucional
No campo institucional, a semana trouxe um alívio relativo na relação entre o Banco Central e o TCU em torno do caso Master. Após tensões recentes, um acordo foi firmado na segunda-feira para uma inspeção nos documentos da liquidação extrajudicial do banco, com prazo de menos de um mês. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, destacou a busca por “tranquilidade institucional”, enquanto o relator Jhonatan de Jesus liberou a área técnica para iniciar os trabalhos. Embora mantenham o caso em evidência, não abalaram diretamente o mercado, que parece mais focado nos indicadores econômicos do que nos ruídos judiciais.
Esse equilíbrio entre atuação técnica e pressões externas é um sinal positivo para a estabilidade do sistema financeiro.
Cenário global: tensões e recuos de Trump
No front internacional, a semana foi marcada por altos e baixos nas tensões geopolíticas e na política monetária americana. As ameaças de Donald Trump contra o Irã, com alertas de ataques iminentes e tarifas de 25% a países que negociem com Teerã, elevaram o petróleo Brent a US$ 66,52 na quarta-feira, o maior nível desde outubro. Isso impulsionou ações como as da Petrobras, mas gerou aversão ao risco em Wall Street, com quedas no Dow Jones (-0,80%) e S&P 500 (-0,19%) no mesmo dia. No entanto, na quinta-feira, Trump baixou o tom, afirmando que as execuções no Irã teriam sido suspensas, o que zerou os ganhos do petróleo no pós mercado. Essa volatilidade reflete a incerteza que ainda paira sobre o Oriente Médio.
Além disso, a independência do Federal Reserve continuou sob escrutínio, com Trump renovando críticas a Jerome Powell e uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre supostas irregularidades no Fed. Apesar do apoio global a Powell, incluindo de Gabriel Galípolo e outros presidentes de bancos centrais, o mercado reagiu com cautela. Os balanços decepcionantes de bancos como JPMorgan (- 4,19%), Citi (-3,36%) e Wells Fargo (-4,61%) também pesaram nas bolsas americanas, contrastando com o otimismo no Brasil.
Ibovespa bate recordes apesar da cautela
Encerramos a semana com um mercado que mistura recordes e cautela. Os dados econômicos apontam para uma desaceleração que pode abrir espaço para cortes na Selic em março, enquanto o Banco Central mantém sua postura técnica em meio a desafios institucionais.
Por aqui, o Ibovespa desafiou as tensões globais e domésticas, alcançando uma máxima histórica de 166.069 pontos na quinta-feira. O impulso veio principalmente da Petrobras (ON +3,63%, PN +2,73%), beneficiada pelo rali do petróleo antes do recuo de Trump, e da Vale (+4,74%), que atingiu o maior preço em quase 20 anos. Bancos como Bradesco (+1,81%) e Itaú (+1,10%) também contribuíram para o otimismo, sustentado por fluxo comprador estrangeiro e pela percepção de que a vantagem de Lula na pesquisa Quaest diminuiu, com 45% contra 38% de Flávio olsonaro no segundo turno.
No câmbio, o dólar passou a trabalhar abaixo de R$ 5,40, com alta de 0,46% na quinta-feira, influenciada por um mal-entendido sobre a suspensão de vistos americanos, logo esclarecido. Os juros futuros, por sua vez, subiram nos vencimentos longos, com o DI para janeiro de 2033 a 13,520%, refletindo a cautela com o cenário externo.
Quem acompanha a nossa coluna sabe que os números falam mais alto, mas o contexto exige vigilância. Que a próxima semana traga mais clareza e oportunidades.