O Estreito de Ormuz ganhou um novo personagem esta semana. O pedágio iraniano. Teerã anunciou rotas designadas para navios, com cobrança de taxas e autorização restrita a quem coopere com o regime. Não é um bloqueio total, mas mantém o petróleo caro e o mundo nervoso.
Trump endureceu o discurso e tentou mostrar que Washington ainda manda, afirmando que três petroleiros chineses atravessaram o estreito porque os Estados Unidos deixaram. Xi Jinping, segundo ele, também quer a reabertura, mas Pequim não deu nenhum sinal concreto de pressionar Teerã. Muita conversa, pouco movimento.
O Brent subiu 3,34% só na sexta, fechou a US$ 109,26 e acumula alta de 50% desde o início da guerra. Um ataque com drone que provocou incêndio em instalação ligada ao setor nuclear dos Emirados no domingo reforça que a situação está longe de acabar.
Treasuries a 5%, Selic em Dúvida e Real no Limite
Nos Estados Unidos, o custo dos títulos do governo chegou a 5% no prazo de 30 anos, algo que não acontecia desde 2007. Quando o juro americano sobe, o dinheiro do mundo inteiro tende a migrar para lá, o que pressiona moedas de países emergentes, incluindo o real.
Na prática, o dólar voltou a subir e rompeu os R$ 5,05, mesmo com o Brasil se beneficiando do petróleo caro por conta da Petrobras. O que era vento favorável virou vento cruzado. E os juros futuros brasileiros, aqueles que o mercado usa para apostar onde a Selic vai estar nos próximos anos, dispararam nas últimas sessões, jogando dúvidas sobre a continuidade do ciclo de cortes do Banco Central.
Quem apostava que a Selic cairia em junho está ficando menos convicto. A probabilidade dessa queda recuou de 65% para cerca de 55% em poucos dias. O mercado começa a considerar que o BC pode pausar o ciclo.
Eleição Cada Vez Mais Próxima Incomoda
No Brasil, o barulho vem também da política. As revelações sobre supostas negociações financeiras envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro do Banco Master agitaram investidores. O mercado não reage bem à incerteza eleitoral, especialmente quando o candidato de oposição mais bem colocado nas pesquisas pede dinheiro à Vorcaro.
A mais recente pesquisa Datafolha mostrou Lula com 38% e Flávio com 35% no primeiro turno, empatados no segundo. Mas boa parte das entrevistas foi feita antes das reportagens mais recentes, o que significa que ainda não sabemos o real impacto das denúncias nas intenções de voto.
Para o mercado, o que importa é a questão fiscal, quem ganhar a eleição vai ou não colocar as contas públicas em ordem? Essa resposta ainda está em aberto, e a incerteza tem preço.
O Que Move o Mercado Esta Semana
A semana traz uma agenda carregada. O IBC-Br, termômetro de atividade econômica do Banco Central, sai hoje e deve mostrar recuo em março. A ata do Fed americana sai na quarta. E o grande evento da temporada de balanços nos EUA também é quarta, a Nvidia divulga seus resultados depois do fechamento, e o mercado de tecnologia vai segurar a respiração.
Por aqui, o foco continua sendo a combinação de petróleo caro, dólar pressionado e eleição cada vez mais presente no radar dos investidores. O cenário está exigindo atenção redobrada. Semana passada, quem dormiu posicionado acordou com surpresas. Esta semana, tudo indica que será mais do mesmo.