
Segunda-feira começa pesada e o resto da semana promete não dar trégua. Tem orçamento, tem PIB, tem payroll, tem petróleo fervendo e tem até jantar de bilionário no Palácio do Planalto. Se o mercado gosta de uma coisa é de notícia, e esta semana ele vai ter fartura.
Hoje o governo entrega ao Congresso o PLOA, o projeto de lei orçamentária de 2027, prometendo o primeiro superávit efetivo das contas públicas em um bom tempo, algo entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões. A verba de discricionárias, aquelas despesas que o governo pode cortar se apertar o cinto, vai crescer quase 20%.
O mercado vai passar o dia perguntando se isso é flexibilidade ou só um jeito de continuar gastando com a promessa de adequação futura. A reação da ponta longa dos juros hoje já vai funcionar como primeiro termômetro de quanta credibilidade o governo ainda consegue passar.
Amanhã é a Vez da Economia Real
Na terça, sai o PIB do segundo trimestre, com o mercado projetando alta de apenas 0,4% ante os três meses anteriores, desacelerando da alta de 1,1% do primeiro trimestre. Também vem a produção industrial de julho. Se os números confirmarem a desaceleração que o Caged de julho já sinalizou, com apenas 58,6 mil vagas formais criadas, ganha força a leitura de que a economia está mesmo perdendo fôlego, o que confirma espaço para o Copom, o comitê de política monetária do Banco Central, cortar a Selic de novo em setembro.
Nos Estados Unidos, a Semana é Sobre Emprego
Enquanto o Brasil discute seu próprio ritmo, o mercado americano vai passar a semana inteira testando até onde vai a disposição do Fed, o banco central americano, de voltar a subir juros em setembro. A bateria de indicadores econômicos começa amanhã com o Jolts, um relatório econômico mensal divulgado pelo governo dos Estados Unidos que mede a oferta de vagas de emprego e a movimentação de trabalhadores no país.
Na quarta com o ADP, prévia de empregos privados, e o Livro Bege, relatório regional sobre atividade e preços, e fecha na sexta com o payroll de agosto, o dado mais importante da semana. Depois da perda de 23 mil vagas de empregos em julho, qualquer nova fraqueza pode esfriar as apostas de alta, enquanto um número forte reforça a tese de aperto monetário. É a última leitura de emprego antes da decisão do Fed em 16 de setembro, e o mercado sabe disso.
O Petróleo Pode Virar o Fator Surpresa
Fora da agenda de indicadores, tem um risco que não segue calendário. Neste fim de semana os Estados Unidos atacaram alvos iranianos em Ormuz, e o Irã prometeu retaliar. Se a tensão escalar ao longo da semana, o barril pode voltar a subir e complicar ainda mais a leitura de inflação global, justamente quando o Fed já está de olho atento nos preços.
E a Política Também Entra na Conta
Em ano de eleição, os movimentos de bastidor ganham peso de indicador econômico. Lula recebe banqueiros e empresários hoje à noite, dias depois de Flávio Bolsonaro fazer o mesmo. O mercado vai ler esses sinais como termômetro de qual candidato consegue transmitir mais previsibilidade para as contas públicas, e previsibilidade, como sempre, é o que o mercado mais gosta de comprar de maneira antecipada.
No fim, a semana inteira gira em torno da mesma pergunta, o que terá o maior impacto, o governo com seu Orçamento, o Fed com seu payroll ou o Irã com sua próxima jogada. O mercado vai escolher em quem confiar, e provavelmente vai mudar de ideia mais de uma vez antes de sexta-feira, por isso cuidado é essencial principalmente no horário de divulgação dos indicadores.