Doutor em Direito pela UFMG, professor da Academia da PMMG e diretor de Projetos e Parcerias da Empresa Mineira de Comunicação (EMC) do Estado.

Brasil, 1º de janeiro de 2023

Publicado em 14/05/2022 às 06:30.

Cenário 1 (o desejável). Iniciamos um novo ano com as melhores expectativas. Juntamente com familiares e amigos, entramos em 2023 com aquele confortante sentimento de fé que teremos o melhor ano de nossas vidas. Saúde, paz, prosperidade, dinheiro e força para lutar contra as inevitáveis adversidades. Desejos estes na mente de toda uma nação que viveu fortes perrengues em um passado recente.

 Covid controlada. Uma mistura de tristeza pelos que nos deixaram em decorrência dessa pandemia e um sentimento de gratidão pela nossa superação. Planos restabelecidos e projetos antes engavetados agora colocados na ordem do dia.

Da política! Ah, quão importante a política para a nossa e para as próximas gerações. As eleições transcorreram em conformidade com nossa Constituição Federal, uma festa da democracia. Como era previsto, foram disputas fortes, polarizadas e tensas, inclusive baixas e agressivas em alguns momentos. Por suposto, as nefastas fake news estiveram presentes. Com uma grande participação da população brasileira, a vontade das urnas foi respeitada e aceita, mesmo para desagrado de setores barulhentos e raivosos. Alguns reeleitos e outros tantos casos de alternância de poder. Entre vencedores e vencidos, acima o interesse público e a estabilidade das instituições e do nosso Estado Democrático de Direito.

Importante, para não dizer imprescindível, avançar de forma sinérgica e harmônica entre todos os eleitos, respeitando as diferenças ideológicas, partidárias e programáticas, pois essa é a essência da democracia, independentes se ocuparem mandatos executivos ou legislativos, na capital federal ou nos estados. E, juntamente com os agentes políticos municipais e os demais órgãos e poderes de todos os entes da federação brasileira e da sociedade civil organizada, trabalhemos em prol do bem comum. Até porque a eleição ficou em 2022, e não há terceiro turno eleitoral.

Urge desburocratizar, reduzir e dar efetividade ao estado brasileiro com responsabilidade fiscal, segurança jurídica, avançar nas privatizações, fortalecer o combate a corrupção, modernizar nossa legislação, aprovar as tão faladas e pouco efetivadas reformas, de sobremaneira importância para o país. Há uma brutal desigualdade a ser enfrentada. Uma vergonhosa e ineficiente política educacional que assombra nosso futuro e comprometem gerações e o protagonismo das pessoas.

Precisamos restabelecer a confiança nas nossas instituições e reduzir a grave crise de representação política que vivenciamos. Como eixo importante, assumir a liderança regional no continente e ostentarmos mundo afora exemplos de políticas públicas que em um futuro recente posicionará o Brasil como um país bem mais justo, pujante e sustentável.

Cenário 2 (repugnante e nem um pouco desejável). Ao estilo feliz ano velho, inicia-se 2023 com um gosto amargo de medo, tensão e desânimo coletivo. Ainda no final de 2022, a tensão do processo eleitoral e o pós-eleição trouxeram consequências bem negativas para o país. Poderes da República omissos ou extrapolando suas atribuições, questionamento da legitimidade dos eleitos, instituições fragilizadas, polarização em grau máximo e um perigosíssimo afronte ao nosso Estado Democrático de Direito. No período eleitoral, quase não se debateram os graves problemas que assolam o país. Agressões físicas e verbais pipocaram país afora, acirrando ainda mais o já tenso clima em que vivia o país. Fake news predominaram nas redes sociais. Brigas e rompimentos familiares e entre amigos foram desastrosos para nossas relações humanas e sociais.

Um mar de interrogantes acerca do nosso futuro. Projetos e sonhos continuam engavetados, até uma luz que dê algum alento ao povo brasileiro. 

Por fim, há outros cenários que devem ser analisados. Muitas variáveis que não podem ser desconsideradas. Entretanto, os dois apresentados têm a pretensão de explicitar a importância e gravidade do momento em que estamos vivendo. Cada um de nós, de forma singela ou mais ampla, temos uma missão intransferível neste ano, e não podemos ser passivos ou omissos.

Ou atuamos de forma obstinada para o cenário 1, ou retrocederemos para períodos sombrios de um passado recente do nosso país.

Que Deus nos ilumine e abençoe o nosso Brasil!

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