Guilherme da CunhaAdvogado pós-graduado em Direito Tributário e deputado estadual, coordenador da Frente Parlamentar pela Desburocratização

Faz sentido, mas não faz bem

Publicado em 28/03/2022 às 06:00.

Na última sexta, o prefeito de BH renunciou ao cargo para entrar na disputa ao governo de Minas.

O momento político é no mínimo dúbio. Desde sua reeleição, suas contas foram rejeitadas pelo TSE devido a uma operação que sinaliza doação ilegal e caixa 2 e estourou o escândalo de um repasse ilegal de R$220 milhões feito pela prefeitura para empresários de ônibus, que culminou em pedido de indiciamento pela CPI da BHTrans, que concluiu que houve os crimes de peculato, prevaricação, condescendência criminosa, formação de cartel, associação criminosa, apropriação indébita, entre outros. Vale lembrar que uma das promessas de campanha em 2016 havia sido “abrir a caixa preta da BHTrans”. Não apenas não abriu, mas parece ter aberto o cofre da cidade no lugar.

O governador Romeu Zema (Novo), cuja popularidade é alta e possui diversos resultados para mostrar, lidera com folga as pesquisas, que indicam que seria reeleito no primeiro turno. O ex-prefeito de BH, todavia, talvez aposte em dois apoios para mudar a disputa: o do ex-presidente Lula (PT) e o do presidente da ALMG, dep. Agostinho Patrus (PV).

O ex-prefeito desconversa sobre o apoio de Lula e o presidente da ALMG, que já foi chamado de inútil pelo ex-prefeito, silencia sobre uma eventual parceria, mas uma postagem feita pelo dep. Ulysses Gomes (PT) revela que são questões consolidadas. No mesmo dia da renúncia, o deputado parabenizou o ex-prefeito, disse que ele poderia contar com o apoio do PT e antecipou que o ex-prefeito rodará o estado ao lado do atual presidente da Assembleia.

De Lula, o ex-prefeito talvez espere uma transferência de votos e ajuda para se tornar mais conhecido. Do atual presidente da Assembleia, a ajuda parece ser outra: sabotar o governo Zema.

Se for esse o caso, o presidente da ALMG parece já estar pagando sua fatura. Em 2021, segurou por longos meses a votação do acordo feito pelo governo com a Vale para indenização pelos danos decorrentes do rompimento da barragem de Brumadinho, e atrasou obras de mais de R$11 bilhões em hospitais, escolas e estradas.

Desde novembro de 2021, ignora a Constituição do Estado e arrisca o futuro dos mineiros se recusando a votar o Regime de Recuperação Fiscal, em que pese terem se passado três meses com o projeto na pauta com prazo de urgência esgotado. Neste mês de março, segurou por duas semanas o projeto de reajuste dos servidores do Executivo, ao mesmo tempo em que permitia tramitarem os dos demais poderes. O atraso pode inviabilizar uma solução final antes de 2 de abril, prazo para concessão de reajuste nesse ano eleitoral.

A estratégia de sabotagem, se de fato em curso, faz sentido eleitoralmente, mas não faz bem para Minas. O problema é que parecem não se importar com isso.

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