José Roberto LimaJosé Roberto Lima é advogado, delegado federal aposentado, mestre em Educação, professor da Faculdade Promove e autor de “Como Passei em 16 Concursos”

Concursos: oxente, uai etc

Publicado em 28/09/2021 às 15:52.Atualizado em 05/12/2021 às 05:57.

Os concursos públicos movimentam a economia em vários setores. Afinal, estima-se que “dez milhões de brasileiros estejam estudando para prestar algum concurso público nos próximos 12 meses” (fonte: https://istoe.com.br/46397_CONCURSO - acesso em 27.9.2021). Outras fontes indicam números ainda maiores. Veja, por exemplo, em: https://www.conjur.com.br/2011-abr-07/concursos - acesso em 27.9.21.

As editoras especializadas publicam livros e apostilas voltadas para esse público. A rede hoteleira não dá conta de abrigar tantos candidatos que viajam pelo Brasil. As escolas preparatórias desenvolvem estruturas de verdadeiras faculdades. 

Estive recentemente em Brasília e relembrei os tempos em que lá morei em 2011. Naquela ocasião, fiz uma palestra no Gran Cursos. E fiquei impressionado com o perfil dos alunos: um verdadeiro mosaico de sotaques regionais.

Bem... era de se esperar que as aulas presenciais contassem com alunos de cidades do entorno de Brasília. Mas, indo muito além de Anápolis, Rio Verde e outras cidades nem tão próximas, havia alunos de todas as partes do Brasil. Muitos vinham de outros Estados e se mudavam temporariamente para a capital federal. Ouvia-se expressões de todas as regiões. Eu mesmo fui perguntado por um aluno:

– Professor Roberto, o sr. é mineiro?

– Sim. E como você descobriu? Será que estou falando muito “uai”?

– Não. O sr. está falando muito “ocê”.

Agora, com a retomada de vários concursos, esse mosaico se faz presente na realização das provas. No último final de semana, foi assim em Goiânia. Advogados de todo o Brasil lá estiveram na disputa de uma vaga para juiz do TJ-GO. 

Nessas jornadas de Norte a Sul, quando um candidato ou candidata alcança êxito na aprovação, é comum assumir o cargo com a intenção de exercê-lo por algum tempo e voltar à terra natal. Mas, parafraseando Carlos Drummond de Andrade, “tinha uma paixão no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma paixão”. E adota-se a nova terra. E forma-se família. 

Também existem os mais variados sonhos entre os de meia-idade (e meia-idade nos concursos passa dos 60 anos). Esses costumam surpreender os mais jovens e a si mesmos. E também podem tropeçar nos versos de Carlos Drummond de Andrade, encontrando uma grande paixão para começar vida nova. Por que não? 

A todos eu desejo bons estudos. E os melhores tropeços nos melhores sonhos.

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