Hoje, 20 de julho, comemoramos 53 anos da conquista da Lua. Ah... aquela frase de Neil Armstrong: “One small step for man, one giant leap for mankind” (um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade).
Mas, em pleno século XXI, surgiram os proliferadores de “fake news” que garantem: a Terra é plana, vacina faz mal e – claro – o homem não foi à Lua. E colocam em risco a evolução científica de dois milênios.
Uma das vozes mais atuantes, contrária a essas maluquices, é de um professor de Geografia, cujo nome não cito porque não pude consultá-lo para dizer se assim me autoriza. Ele teve o dissabor de ver um sobrinho, aos 7 anos de idade, dizer que não desejava mais ir à aula.
Perguntado sobre o porquê, disse que a professora o ensinava tudo errado. Pois acessou as redes sociais e “descobriu” a verdade: a Terra é plana, o homem nunca foi à Lua, etc.
Então, o tio decidiu entrar nessa luta. Desenvolveu na criança o gosto pela Ciência. E hoje o garoto cresceu, passou no Enem com excelente classificação, e está prestes a também se formar em Geografia.
Numa das críticas que ele fez aos “divulgadores de bobagens”, em vez de debater sobre temas da Astronomia ou da Física, ele se ateve à Gramática. E foi assim que concordou com os “terraplanistas”: “Sim, o homem nunca foi a Lua” (os “entendidos” costumam escrever assim mesmo, sem uso da crase). Mas eles não entenderam a ironia.
Então, o professor teve de explicar: a conjugação do verbo “ir”, em alguns tempos e modos verbais, tem o mesmo som e a mesma grafia do verbo “ser”. E argumentou com frases, tais como as que se seguem:
O homem nunca “foi” a Lua, assim como nunca foi uma pedra. O homem nunca “foi” e nunca “será” uma pedra. Mas o homem “foi” à Lua, assim como “foi” de um lugar para outro. O homem sempre “foi” e sempre “irá” a muitos lugares.
Então, veja como uma crase faz toda a diferença.
E você – leitor – às vezes se questiona porque devemos estudar tanta coisa. E protesta: que diferença faz, se o homem “foi a Lua” ou se “foi à Lua”. E eu te respondo: devemos estudar esses temas para evitar confusões de linguagem.
Afinal, seja qual for a sua profissão ou formação, seu sucesso depende, entre outras coisas, da clareza no seu modo de se comunicar. Mas eu te dou outro motivo para estudar essas filigranas da Língua Portuguesa: elas caem nas provas.
Aliás, em se tratando dos diversos usos da crase, eles não caem. Despencam. Sim, despencam nos concursos e no Enem.
A todos desejo bons estudos.