Depois de bem sucedidas incursões na ficção, o jornalista e escritor Pedro Rogério Moreira acaba de lançar “Lott, a espada democrática & outros escritos pacifistas”, pela Thesaurus, de Brasília. Se o título é longo, condiz com o teor da nova produção do conceituado membro da Academia Mineira de Letras, que recebeu o cargo em sucessão ao pai, Vivaldi Wenceslau Moreira, presidente perpétuo da centenária instituição.
Com sua extensa carreira como jornalista, Pedro Rogério faz questão de se continuar repórter, o profissional que se aprofunda em pesquisas para entregar ao leitor uma síntese tão completa quanto possível de seu trabalho, como o médico que apresenta seu relatório ou o pesquisador nos vários campos do conhecimento humano.
O tema central é relativo aos planos que adotaria um pequeno grupo de políticos e militares que não admitiam a vitória de Juscelino a presidente da República, no pleito daquele ano, 1955. A principal razão suscitada era que o candidato mineiro não conseguira maioria absoluta na contagem de votos. Insistia em ignorar que a legislação eleitoral vigente não a exigia.
A tentativa falhou redondamente, porque um alto militar das Forças Armadas se opôs e a ideia foi abandonada como nunca deveria ter surgido. O nome dele era Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, mineiro de Sitio, hoje Antônio Carlos, por sinal a cidade que deu acolhimento ao grande poeta Cruz e Sousa, nascido em Santa Catarina.
O autor não se resume a resgatar os fatos de 1955, pois levanta e descreve com riqueza de detalhes sobre outras tentativas de golpes que se repetiram no país desde aquela época. É um levantamento precioso que não se encontrará em algum outro escritor. Vê-se como Pedro Rogério entrou nos meandros das tratativas para depor presidentes, a partir da entrevista com Lott, que pela primeira vez é publicada. Valeu a leitura do depoimento do general e ministro, para se fazer um julgamento de sua atuação em horas históricas.
E tudo isso para chegar ao 8 de janeiro de 2023, cujas repercussões ainda se sentirão por muito tempo.
As orelhas são de Lucas Figueiredo, cujo livro sobre Tiradentes é também primoroso. Ele termina suas observações, dizendo: “Pedro Rogério nos mostra mais uma vez porque seu nome compõe a elite da reportagem nacional”.