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Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

A vez da sequia

Publicado em 20/06/2023 às 06:00.

Evoco tempos e pessoas. Minha jovem amiga Ana Maria Romero Forcade, de Montevidéu, filha do excelente poeta Ruben Enrique Romero Arenilhas, me envia um e-mail surpreendente: “Montevideo con falta de agua potable devido a la sequia”. Ou seja: a bela capital do Uruguai, pela qual já passaram muitos milhares de jovens brasileiros, por motivos políticos ou para estudos, se aproxima de cidades do Brasil. De Montes Claros, por exemplo, pois por Montevidéu passamos Darcy Ribeiro e eu, em épocas diferentes.

Pois a sequia, agora também fustigando a gente boa da nação sonhada por Artigas, já chegou a Minas Gerais, que aflige há dezenas e dezenas de anos, séculos até. É o que informa Luiz Ribeiro, atento em nossa terra, aos problemas que nos atormentam.

Ribeiro observa que a estiagem precoce adianta o flagelo da falta d’água, que causa danos e dificuldades imensas a 130 municípios, que já se acham em emergência. Mais do que isso, a tendência é o número a subir, com escassez hídrica aprofundada pelo El Niño, como advertem especialistas.

Obviamente, há razões para o fenômeno natural perverso que atinge Minas, um dos maiores estados da federação. Os relatos das autoridades dizem bem claramente que o mal não reside apenas na água escassa. É também falta de verbas suficientes para amenizar o quadro já dramático para algumas populações.

Caminhões-pipas é uma das propostas, velha maneira de suprir precariamente determinadas áreas, mas até mesmo propriedades habitadas por gente acostumada a sofrer. Sem água, sem vida. O mesmo acontece com o gado.

No norte de Minas, as chuvas só estão sendo aguardadas em novembro, quando muita plantação já se perdeu, talvez vidas. Haverá influência maior no fornecimento de energia elétrica hidráulica? E se fala em transtorno de ansiedade, perfeitamente admissível diante dos infortúnios intermináveis. Os homens de poder e governo devem ficar atentos e sensíveis ao que acontece. Aqui ou em nossa saudosa Montevidéu, com seus belos plátanos nas vias públicas. São eles componentes vivos de uma capital que sempre sabe escolher os seus visitantes e exilados, com carinho e respeito. Não podem agora circunstâncias adversas mudar um panorama amável, que oferece a beleza de um Parque Rodó, por exemplo.

Fim a sequia, é o que se quer efetivamente.

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