A realização da COP 30, no penúltimo mês de 2025, foi um acontecimento que se revelou pela ausência de definição dos problemas maiores da Terra e seus habitantes, principalmente neste período difícil para a humanidade.
A importância do evento em si também serviu para sublinhar o papel fundamental da Amazônia para o mundo de hoje e do futuro, inclusive advertindo o próprio Brasil sobre o significado daquele território imenso para o restante do planeta.
Não houve propostas para soluções decisivas. Mas tem-se de convir com o cientista político Sérgio Abranches que “houve avanço importante na definição dos direitos sociais a serem respeitados na transição energética com menção aos direitos de gênero, comunidades originárias e afrodescendentes”, temas de grande interesse nos países em desenvolvimento, a começar pelo Brasil.
A expressão “mapa do caminho” se tornou comum em praticamente todas as delegações, mas afinal foi o máximo conseguido com relação à transição energética, já que não se conseguiu um consenso, o que, aliás, não se esperava, dada a complexidade dos interesses em jogo.
Assim, o problema de produção de combustíveis fósseis ficou para o próximo ano, o que agradou aos países que fazem do petróleo o seu sustento até em termos de luxo e prestígio internacional.
Sem embargo, a realização da COP em Belém prestou-se agudamente para fornecer substância para que a Amazônia tenha o lugar que merece no panorama geral do país, inclusive em letras. Depois da eleição de Milton Hatoum para a Academia Brasileira de Letras, tem-se a conclusão lógica e invariável de que na Amazônia há muito a se exponenciar. Assim, tem-se de lembrar que Nicodemos Sena, que é de Santarém, no Pará, foi o vencedor do Prêmio Lima Barreto/Brasil, 500 anos, que conquistou classificação como o melhor romance do Brasil, em 1999, com “A Espera do Nunca Mais”.