Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Casa de João Pinheiro

Publicado em 21/04/2023 às 06:00.

O recente incêndio em parte da Escola Normal Modelo de Belo Horizonte, hoje Instituto de  Educação, nos reacende a chama do interesse em torno de João Pinheiro. Afinal, foi ele o construtor da obra, como presidente de Minas no princípio do século XX. E não foi reduzido o legado que transferiu ao seu sucessor ao deixar, pela morte prematura, a chefia do governo. 

O saudoso advogado Aristóteles Atheniense, ex-presidente da Academia Mineira de Letras Jurídicas e membro do IHGMG, por João Pinheiro também fundado, evocou a personalidade do filho do imigrante italiano vindo da Toscana, em discurso pronunciado em 16 de dezembro de 2017, em frente ao monumento erguido em sua homenagem na praça Afonso Arinos, no dia de seu aniversário. 

Aristóteles registra, repetindo o historiador José Murilo de Carvalho, que Teófilo Otoni, João Pinheiro e Juscelino trouxeram consigo características comuns: todos vieram das cidades mineradoras, descendiam de famílias pobres e ganharam a vida à custa de seus próprios esforços. De Pinheiro se pode afirmar que representou a voz da terra e do ferro, a passagem da mentalidade agrária para o desenvolvimento. 

Disse o orador: “Vale repetir agora, nesta fase calamitosa que nos aflige, reverberações que não perderam a sua valia, contidas no manifesto Programa do seu governo, lançado em 1905”: “A escrupulosa  gestão dos dinheiros públicos, a interna obediência às leis, o máximo respeito às liberdades do cidadão, o acatamento aos reclamos da opinião pública, à livre manifestação das urnas, são os fatores saudáveis onde o coração republicano bebe força e alento, para ser digno dos princípios que professa e do ideal que ama”.

 Em jornal editado na sul-mineira Campanha, novamente alertava o ilustre Pinheiro: “Com a implantação da República, não há senhor, rei ou imperador, todos são cidadãos republicanos submetidos ao império da Lei e no governo de todos para todos”.

João Pinheiro viveu as experiências da pobreza e das dificuldades da ascensão social, que se transformaram na proposta dirigida aos seus eleitores contra as eleições a bico de pena, que beneficiavam as famílias provindas das tradicionais.

Com seu falecimento, em 25 de outubro de 1908, às vésperas de chegar aos 48 anos, como exemplo à atuação em Minas e no país, João Pinheiro permanecia sem dinheiro. Para comprar-lhe uma casa, reuniram-se amigos e admiradores e juntaram dinheiro para a casa própria do ex-presidente.

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