Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Guerra interminável

Publicado em 02/06/2026 às 06:00.

Os humanos se matam como se fossem insetos. É o que se percebe agora que a guerra no Oriente Médio aparentemente se resume ao conflito EUA/ Israel contra o Irã. A faixa de Gaza, palco de atos terríveis pelos incessantes embates, ficou em plano secundário, diante do projeto do presidente norte-americano de preconizar um Conselho de Paz, embora este não apresente resultados positivos.

Morre-se em face dos bombardeios incessantes de Israel, enquanto o Hezbolah faz de conta que tudo acontece como esperado. Mas periódicos de todo o mundo ressaltam que a fome tem peso. Fotos da imprensa, conseguidas a preço de riscos enormes, mostram mães carregando nos braços e, em meio aos escombros, os filhos pequenos, ou percorrendo os corredores abafados de hospitais ou o que deles sobra, seus bebês debilitados ao limite, impedidos mesmo de chorar. 

Um jornalista observa que, em Gaza, a guerra passou a ser medida também pela velocidade com que uma infância desaparece. Um relatório publicado pela heróica organização humanitária Médicos Sem Fronteiras relata um cenário de “desnutrição alarmante”.

Transcrevo parte de documento da instituição internacional, que merece respeito e gratidão. Um número absurdo de meninos e meninas nasce para a dor sob todos os aspectos: 4.176 menores de 15 anos já foram internados por desnutrição aguda em Gaza desde janeiro de 2024.

O documento descreve o colapso da assistência humanitária, a explosão dos casos de fome infantil e a luta diária de famílias palestinas para sobreviver entre bombardeios, deslocamentos forçados e a escassez extrema de alimentos e medicamentos.

Legenda de uma foto mostra: “No pátio de uma escola transformada em abrigo improvisado, um menino observa o que restou após mais uma noite de bombardeios em Gaza. O lugar onde antes havia salas de aula, brincadeiras e rotina escolar tornou-se cenário de destruição, luto e deslocamento para famílias que já não conseguem distinguir abrigo de alvo”.

O fim desta tragédia incessante não se pode prever. A luta pelo poder central internacional e as perspectivas para aquelas regiões são mais que sombrias. São de extermínio. Só o correr do tempo resolveria esta questão dos Centros Modernos.

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