Os três primeiros meses do atual governo da República não foram fascinantes no que tange à taxa de emprego. Os dados da pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios continuaram tristes, como se depreende do boletim divulgado pelo IBGE. O número de desocupados aumentou 10,0%, o que significa um acréscimo de 860 mil pessoas à procura de trabalho.
Em números claros, redondos: o total de ocupados sofreu queda de 1,6%, isto é, menos 1,5 milhões de pessoas ocupadas, ficando com 97,8 milhões. O desemprego, entretanto, atingiu 9 milhões e 850 mil brasileiros, alcançando a taxa de 8,4%.
Os que esperavam milagre com a ascensão de um novo governo sentem que o problema é serio, que toda a economia está na balança, padecendo inclusive do que vai pelo resto do mundo. O que se observa, por exemplo, em determinadas nações da África, é doloroso. Quem viu a chegada de jogadores de futebol que lá atuavam e que se vêem na obrigação de fazer o caminho de volta, percebe o que acontece.
Os otimistas, contudo, não dão o braço a torcer. Acham que o resultado do primeiro trimestre pode simplesmente indicar que o mercado está em fase de recuperação, apenas recuperando seus padrões de sazonilidade, depois de mais de dois anos de movimentos atípicos, por causa da pandemia.
Aumenta o número de pessoas sem ocupação, o que quer dizer que as dificuldades serão maiores e os tempos mais difíceis para segmentos extensos da população. Diminuísse o que se ganha, sem reduzir o que se consome.
A coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE observa que esse movimento de retração da ocupação e expansão da procura por trabalho ocorre em todos os primeiros trimestres da pesquisa. Mesmo que seja verdade, não é nada alentador, pelo menos por enquanto.
Resta agora esperar pelos números relativos ao segundo trimestre e pela pesquisa que cada consumidor fará, toda semana, para verificar os preços, principalmente nos supermercados e dos transportes urbanos.
A nação se encontra em compasso de espera, isto é, em marcha lenta, aguardando o efetivo início da atual gestão, que pretende mudar muita coisa, mas encontra dificuldade, internamente. Daí, o presidente ingressar em campo alheio para aliviar tensões e inquietações, como faz com a Argentina, que veio buscar amparo por aqui, porque lá tudo anda pior. Veja-se a inflação; e lá não existe Campos Neto em banco central.
Paciência é o que se pede. O limite dela é a questão.