Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

O Wokismo

Publicado em 23/05/2026 às 06:00.

O desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima é autoridade não apenas na magistratura. É também um mestre no campo Literário e tem firmas posições sobre um movimento que ganhou espaço e cultores no Brasil ou fora dele: o wokismo, o “vício” do cancelamento de textos e a adoção do “politicamente correto”.

“Não quero mais nada, não preciso conquistar coisa nenhuma. Apenas divirta-se o quanto conseguir. Tenha senso de humor. O mundo está tão politicamente correto, não há mais humor; É triste”.

A frase acima é do famoso ator galês Anthony Hopkins. Em 2011 – cerca de quinze anos passados – manifestava o seu desencanto com a falta de graça no mundo. De lá para cá, a situação piorou.

Romancistas e poetas são pessoas inspiradas. Segundo Goethe, referindo-se especialmente aos poetas, reconhecem o que é belo e ousam expressá-lo.

Escrever é muito prazeroso. Graham Greene proclamava: “Não entendo como existe gente que pode viver sem escrever”.

Jornalistas, historiadores e cientistas falam e escrevem. Necessitam de liberdade para se expressar.

Em 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a qual proclama em seu artigo 19: “Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”.

Barbosa Lima Sobrinho Barbosa sustentava:  “De todas as liberdades, dizia Rui Barbosa, a do pensamento é a maior e mais alta. Dela decorrem todas as demais. (...) Com a liberdade plena pensavam os filósofos; versejavam os poetas; e narravam romancistas, jornalistas, historiadores e cientistas. Até que surgiu o “wokismo”: “(É o) movimento ou conjunto de pessoas que fomentam o politicamente correto e a cultura de cancelamento, ao defenderem propostas irrazoáveis ou extremistas, a partir de uma posição de superioridade moral”.

A palavra “woke” vem do inglês, significa “acordado, consciente”. O movimento surgiu recentemente, na esteira da luta afro-americana contra o racismo. (...).

Em resumo: “Wokismo” é a azia da inspiração na literatura. Poetas e escritores ficam nauseados. A desinspiração literária é, portanto, a consequência nefasta do movimento “woke”. Comungo do desencanto exposto pelo consagrado ator galês Antthony Hopkins: “Não quero mais nada, não preciso conquistar coisa nenhuma. Já fiz tudo na vida”. “Apenas divirta-se o quanto conseguir. Tenha senso de humor. O mundo está tão politicamente correto, não há mais humor. É triste”.

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