Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Perdendo tempo

Publicado em 26/05/2026 às 06:00.

O Brasil costuma chegar atrasado ou tardiamente com relação a suas riquezas. O caso das terras raras ou dos minerais estratégicos é apenas um caso a mais em uma longa história. Alcançamos somente agora aquilo que outros países e povos atingiram há muito tempo. Apenas nesta década, praticamente, constatamos que um extenso período transcorreu para concluir que deixamos escapar a oportunidade de nos situar ao lado de outras nações.

De longe, chefes de Estado e de governo, autoridades, técnicos já haviam consignado que o Brasil ostenta ótimas oportunidades. No caso específico de minerais críticos, somente nesta metade do ano praticamente se acordou para a realidade. A exploração de minerais críticos e estratégicos impõe políticas públicas, incentivos, segurança jurídica, produção de conhecimentos específicos, além de investimento em pesquisa e educação. É dever do empresariado e do poder público. 

Na conversa entre os presidentes dos Estados Unidos e Brasil, há poucos dias, na Casa Branca, este foi dos assuntos mais lembrados, apesar da vigia dos relógios.  Nestas ocasiões, tudo ganha maior velocidade. Mais do que nunca, o tempo urge. Tem-se de avaliar, contudo, que meios existem para recuperar o tempo perdido.

O presidente do Brasil, que não entende da questão em profundidade, é claro, percebeu a hora que se atravessa e, depois da entrevista à Imprensa que não se realizou na Casa Branca, declarou: “Queremos compartilhar nosso potencial com quem queira fazer investimentos no Brasil. Não temos preferência. Queremos compartilhar com empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas. Quem quiser participar conosco, para ajudar a fazer a separação e produzir riquezas, está convidado ao Brasil. E isso é permitido pela regulação aprovada”.

Daniel Medrado, subsecretário de Atração de Investimentos e Cadeias Produtivas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, tem posição firme diante do desafio desta hora: "Não adianta ter só o minério bruto, ter só as riquezas no subsolo. De nada adianta o Brasil ter posição em quantidade de reservas se aquilo não é reaproveitado e retornado para o próprio país, na forma de desenvolvimento econômico, social e ambiental. A gente quer que essa cadeia seja mais longa, que venda produtos mais acabados, que haja industrialização". Acrescenta: “Mas o país e o estado avançam e atraem cada vez mais investimentos”.(...) Existem inúmeros fundos de investimentos percebendo que Minas Gerais é o melhor lugar para investir, sobretudo quando se fala no setor de mineração". Será?

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