Nem os séculos, muitos que sejam, mesmo milênios, conseguem apagar da história ou da memória os crimes cometidos pelos donos do poder. Quantos estudos, pesquisas, foram realizados até hoje a fim de estabelecer a verdade e fazer justiça (pois vivemos na maior nação católica do munda) e trazer à leitura os numerosos e confiáveis estudos empreendidos para revelar a face verdadeira de fatos sobre a vida de Jesus, seus discípulos, sua família.
Aqui no mundinho da América Latina, ainda estudamos e nos cientificamos dos dias tenebrosos da Revolução de 1964. Recentemente, o caso da estilista Zuzu Angel, de Curvelo, e que teria sido executada em forjado acidente automobilístico, voltou à tona com intensidade, sem falar na história contada em filme premiado.
No decorrer no tempo, levantou-se a dúvida sobre três políticos polêmicos da República que, em nove meses, morreram também em desastres: Juscelino Kubitschek, em agosto de 1976, igualmente em automóvel, fazendo viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro; João Goulart, de ataque cardíaco (?), em dezembro ainda de 1976, e Carlos Lacerda, em maio de 1977, vítima de infarto (?). Mera coincidência (?)
O cineasta André Sturm, em nova película, levanta a questão: “Se fosse só o Juscelino, ou só o Jango, ou só o Lacerda, seria azar. Mas são os três. E um ano antes da eleição (de 1978, que elegeu, de forma indireta, para a presidência, o general João Figueiredo), na época da Operação Condor”, afirma Sturm, referindo-se à aliança firmada entre as ditaduras do Cone Sul, com o apoio dos Estados Unidos, para coordenar a repressão dos opositores políticos dos seus países”.
No caso do filme sobre Lacerda, “A Conspiração Condor”, o diretor Carlos Sturmer convidou Pedro Bial para o papel principal. O cineasta declarou: “Eu queria trazer alguém um pouco diferente, que tivesse um perfil de ser do Rio, da Zona Sul, intelectual (como Lacerda o foi). Bateu o Pedro Bial na minha cabeça. Liguei para ele, que achou estranho no primeiro momento. Mas depois se empolgou, levou muito a sério. Falou com o neto do Lacerda, entrevistou o biógrafo dele, e acho que incorporou no filme de um jeito incrível”.