Em circulação uma excelente edição da Revista da Academia de Letras do Brasil, o nº 14, como sempre produção da Calêndula, de Brasília. O editor é Flávio Kothe e o seu conselho, integrado por Danilo Gomes, Edmilson Caminha, Cori Bolívia e Napoleão Valadares. Colaboradores Clauder Arcanjo, Cláudio Feldman, Aylê Salassié Filgueiras Quintão, Anderson Braga Horta, Eugênio Giovernardi, Luiz Lobo, Márcio Catunda, Raquel Sousa, Diogo Mendes, João de Jesus Paes Loureiro, Kori Bolivia, Ester Abreu Vieira de Oliveira e uma tradução de Poesia de Marcos Freitas.
A apresentação de Kothe é uma aula, “em que enfatiza que se tem observado nos últimos decênios a luta crescente em defesa de minorias raciais, culturais, políticas ou pelo que se chama de opção de gênero, que ‘parece revolucionário, para que o mais revolucionário não apareça. Pretende ser vanguarda, quando é antes um retorno a um autoritarismo evolutista’”.
Mineiro de Carangola, advogado, filho de poetas, o pai juiz de Direito de comarca, Anderson Braga Horta é autor da melhor poesia que o Brasil presentemente conhece e, no número 14 da publicação, ele se dedica a “Especulações-Provocações”, uma preciosa aula de filosofia e prova de raciocínio.
Após entrar em idade nova com festa entre amigos e admiradores em 2025, o mineiro da Zona da Mata pensa e escreve: “Pobres dos velhos: “A......................... de seu viver reflete-se na queda de sua capacidade de pensar. Já não há força para a ira, já não têm garra para a luxúria. O pecado do velho… pobre pecadilho ridículo – é a gula… um pecado ....................
Mas o poeta-filósofo tem mais a dizer: “Diz-se que o sentir é anterior ao pensar. Para mim é algo mais do que isso: o sentir é, em verdade, o embrião do pensar. E, quando o patamar do pensamento é alcançado (ou construído), o sentir – isto é, tanto as emoções mais rudimentares quanto os ensinamentos mais profundos – nem desaparece nem se destaca, mas continua a existir como parte integrante do pensar. O sentimento é um aspecto da inteligência, indisponível dela – a não ser que se atribua a este vocábulo a limitada significação da capacidade combinatória que o homem coloca em certas máquinas”.
É ainda o poeta quem diz: “Não existe o nada. Trata-se apenas de uma abstração nossa. Cabem universos em qualquer ínfima parcela do Universo infinito. Contudo, só o nada pode criar”.