Às vezes, pessoas têm dó dos que nasceram ou vivem na Venezuela, o extenso país que fica ao Norte do nosso. Nada tenho a queixar. Registro que lá se concentrou o maior número de ditaduras do hemisfério Sul das Américas, em períodos não remotos no calendário.
Em tempo mais recente, não podemos esquecer que, antes da atual ocupante da presidência, Delcy Rodriguez, passaram pelo cargo Hugo Chavez e Nicolás Maduro, que foi removido do poder por Trump e levado como prisioneiro para os Estados Unidos, após um desdobramento surpreendente.
A nação que detém a maior reserva mundial de petróleo, vive, com os tremores de terra, ocorridos em junho, uma tragédia, uma hecatombe, se poderia dizer. Os useiros e vezeiros das desgraças alheias não ignoram que a recuperação será longa, sofrida, demorada, a população derramará lágrimas e angústias por tempo incerto.
Pelo que senti em tempo ido já distante, o povo da Venezuela é bom e afável. Penará mais com (diria, hecatombe). Milhares são e serão vítimas. Enquanto os jornalistas discutem se se deve pronunciar La Guaira, com acento no - i -, o quadro de destruição generalizada e contemplada de longe.
Em cidades no norte da Venezuela, o cenário remete ao de uma zona de guerra. Edifícios colapsados, ruas cobertas por escombros e moradores em busca de sobreviventes entre os destroços evocam as imagens vistas na Faixa de Gaza e na Ucrânia.
A ONU afirma que está “completamente mobilizada” e que considera que a situação exige um “esforço coletivo massivo”para ajudar o país. Na América Latina, os governos do Equador, Argentina, Uruguai e Brasil ofereceram ajuda. O primeiro a socorrer foi o Vaticano.
Quem acompanhou o noticiário de televisão percebeu muito de perto a amplitude da situação. Das 188 vítimas dos dois primeiros tremores se inteirou que, no segundo dia, já se admitia mais de 1.600 mortes. Sabemos que muito maior será o total.
A América Latina pranteará seus irmãos mortos e feridos.