Vale uma cruzada

Publicado em 02/07/2022 às 06:00.

Repercutiu muito no país o caso da menina de 11 anos, em Santa Catarina, que – levada a um hospital para interrupção de gravidez – teve o respectivo procedimento suspenso por uma juíza, que quis evitar o aborto. É assunto sério, que não tem merecido a devida atenção do poder público e a sociedade ficava de longe, como se tratasse de algo que não lhe diz respeito. O autor do ato sexual é um menino, de 14 anos e alega que houve consenso.

No entanto, não se trata de caso isolado. Milhares de casos são registrados anualmente, como informa o Datasus, ao revelar que 183,4 mil garotas de até 14 anos sofreram violência sexual entre 2010 e 2020, conforme registros de nascidos vivos do Ministério da Saúde. Conveniente esclarecer que qualquer relação sexual com menores de 14 anos, ainda que dito consensual, é considerado estupro de vulnerável pela lei brasileira.

O assunto exige atenção das autoridades, mas também das famílias, que têm a grave responsabilidade de zelar pelos seus integrantes. Mas o próprio sentimento dos deveres escapa a esses núcleos, grandemente desinformados ou mal formados.

O tema, aliás, foi objeto de recente artigo de D. Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e membro da Academia Mineira de Letras. Observa ele que, tão grande é a dimensão do problema, que, este mês, o assunto será tema do 10º Encontro com as Famílias, em Roma. Diz o alto prelado: 

“Compreende-se a urgência de se projetarem luzes na importante e inegociável experiência de se viver em família, especialmente quando são considerados os desafios humanos, com incidências de vicissitudes da contemporaneidade. A vivência em família garante, entre limites e possibilidades, uma modelagem singular indispensável para se avançar no caminho da santidade de vida, isto é, do bem e do gosto pela justiça, encharcando de solidariedade fraterna cada gesto. O contexto familiar inspira o ser humano a corresponder à vocação de ser sempre bom e fazer o bem, dedicando-se cotidianamente à transformação célere do mundo em um lugar de amor”.

O que se sabe é que, a cada dez minutos, uma criança ou uma mulher é vítima de abuso sexual no país, segundo o Fórum Nacional de Segurança Pública, com base em números de 2021, quando se registraram 56.098 ocorrências desse tipo, embora o volume deva ser bem maior. Mas não é hora de somente desistir de mudar esse quadro dramático. Pelo contrário, indica-se ou mesmo se exige uma cruzada com que se pretende enfrentar as adversidades que ameaçam as famílias.

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