Em momento de guerra, qual investimento é mais seguro?

Publicado em 19/03/2022 às 06:00.

Carlos Lopes*

A invasão da Rússia na Ucrânia tem agitado o mercado financeiro e deixado os investidores em alerta. Sem perspectiva, ainda, para o final do conflito, as consequências para o mercado e para o desempenho nas bolsas de valores podem ser desastrosas. Proteger o patrimônio e pensar numa estratégia segura são algumas das preocupações dos investidores ao redor do mundo.

De acordo com notícias divulgadas pela grande mídia, devido à guerra, alguns analistas estimaram que, se os investidores passarem a entender a criptomoeda mais negociada no mundo, o bitcoin, como uma espécie de “ouro”, seu valor poderá aumentar para US$150 mil. O preço do metal subiu perto de 5% desde a invasão da Ucrânia, já a negociação das criptomoedas no país cresceu cerca de 100% desde o início do conflito.

Em tempos de grande oscilação no mercado de ações, com a volatilidade nas bolsas, investir em ouro pode ser uma segurança para balancear a carteira e não sofrer tanto com as instabilidades dos outros mercados. A segurança do ouro se dá pela sua composição: o ouro é um metal precioso porque ele não é corrosivo. Sendo assim, é um porto seguro para transferência de riqueza ao longo dos tempos, já que não se deteriora. Por isso, é um metal tão procurado pelos investidores, principalmente em período de crise financeira mundial.

Não é à toa também que há anos o lastro da economia era chamado de padrão ouro e depois passou a ser tratado como padrão dólar-ouro. Isso até o ano de 1973, quando o então presidente dos EUA, Richard Nixon, rompe esse padrão.
O ouro não perde a característica de transferência de riqueza. Em tempos de crise, como a guerra da Rússia x Ucrânia, existe uma fuga de capitais em busca de ativos reais como ouro e terras. Já o investimento no metal através de fundos de renda variável pode ser classificado como de risco moderado. Por isso, é importante que o investidor diversifique a carteira e tenha uma pequena parte do patrimônio em ativos fortes, como ouro e dólar, com a finalidade de ter um Hedge – Seguro Patrimonial. Ou seja, se o investidor não vai bem numa parte da sua carteira, ele terá um porto seguro na outra parte da carteira, pois em momentos de crise na economia, o Hedge pode ser a salvação do seu patrimônio.

Pelo fato de o ouro ser um recurso natural móvel, o seu valor não está sujeito às intervenções econômicas dos governos, e sua escassez não pode ser compensada por fabricação. Assim, sua cotação é estável e funciona quase como uma garantia de não inflação. Alguns fatores influenciam sobre o valor de negociação do ouro, os principais são: o preço do dólar e as taxas de juros praticadas no país.

Vale pontuar para o investidor que é sempre muito importante ter uma carteira balanceada, mas com diversificação. Como diz o velho ditado, “não se deve colocar todos os ovos numa única cesta”. Em contrapartida, é necessário saber diversificar a carteira, porque se pulverizar demais os investimentos, corre-se o risco de não saber o que fazer e sofrer ainda mais com a volatilidade do mercado.
Existem diversas dúvidas em como comprar ouro. Comprar em barra? E o que fazer com ela? Guardar debaixo do colchão? Comprar um cofre para guardar? A melhor forma de investir o metal é aportar os recursos em um bom fundo de investimento, como os fundos multimercado que investem o dinheiro dos acionistas em setores relacionados ao metal.

*Mestre em Economia, assessor de investimentos da Aspen Investimentos e Head da Aspen Educacional 

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