Ângela Mathylde Soares*
Beth Guedes**
Sônia Jordão***
A expressão longevidade identifica uma duração de vida superior à expectativa média populacional. A verdade é que, por muito tempo, significou apenas isso: tempo de vida. Contudo, agora, o envelhecimento saudável também é considerado ao se pensar sobre o tema. Afinal, há séculos, a expectativa de vida sempre foi baixa.
As pessoas morriam cedo, por causas desconhecidas, acidentes sem soluções disponíveis e, até mesmo, devido à falta de higiene. Felizmente, tudo isso mudou com a evolução e a melhoria da qualidade de vida. Alguns países, como o Japão, apresentam as maiores taxas mundiais de expectativa de vida (85,1 anos), devido ao estilo de vida com uma alimentação saudável, prática de atividade física e acesso a serviços de saúde. O cotidiano ainda inclui saneamento básico, educação de qualidade, baixo índice de violência urbana e renda adequada, pontos considerados universais em relação ao tema.
O Brasil não está muito distante dessa realidade, apesar de ainda enfrentar diversos desafios. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o que é a maior marca já registrada de longevidade média na história, aproximadamente 76,6 anos. Nos Anos 70, estimava-se uma média de 57,6 anos.
Ultrapassar os 60 anos já é uma ação realizada com muita disposição, quer seja com a família, amigos ou ao praticar atividades, e, até mesmo, seguir exercendo a profissão.
A aposentadoria no Brasil parece cada vez mais distante. Contudo, existem ainda muitos idosos optando por parar de trabalhar. Nesses casos, a aposentadoria não é apenas por necessidade, já que o envelhecimento gera maiores gastos, principalmente com a saúde, porém, também, visando prazer e consciência.
Um levantamento do IBGE apontou que 24% dos brasileiros com 60 anos ou mais continuavam ativos no mercado de trabalho, em 2024, ou seja, a cada quatro idosos, um ainda trabalhava.
Uma parte desse grupo defende manter uma carreira ativa com receio de ficar parada e se tornar “obsoleta”. Além disso, é importante destacar que quanto mais velho, maior a experiência, podendo ser compartilhada com as novas gerações.
É claro que ainda existem diferentes opções para cuidar da saúde e garantir longevidade, inclusive, uma delas é produzir arte, como a poesia. A elaboração de versos estimula o cérebro, sendo reconhecida como uma ferramenta emocional ao promover o autoconhecimento - imprescindível em todas as idades - e reduzindo o estresse para ressignificar as vivências.
Há décadas, envelhecer era, simplesmente, o maior desejo da população. Agora, apenas viver por viver não é suficiente, manter-se ativo e com qualidade de vida se tornaram necessidades básicas.
* Neurocientista, psicanalista e psicopedagoga
** Poeta, advogada e filósofa, autora do livro “As flores de minha mãe”
*** Especialista em liderança e gestão, palestrante, mentora, consultora organizacional, engenheira e escritora com diversos livros publicados, incluindo: “Liderança de Máximo Impacto – Gestão, Liderança de Equipes e Escolhas para Escalar no Mercado B2B”