Naquela época ... em plena Segunda Guerra ... observamos ... pelo buraco da fechadura:
Um homem condenado à morte numa fortaleza nazista onde o tempo parece corroer primeiro a alma e depois o corpo.
Não há explosões heroicas ... existe apenas o silêncio ... um silêncio tão intenso que transforma o menor ruído em acontecimento.
Passos ecoando no corredor parecem sentenças.
O ranger metálico das grades divide esperança e medo.
E ... aos poucos ... entendemos que sobreviver talvez seja menos um ato físico do que uma forma extrema de lucidez.
A cela deixa de ser prisão e se transforma numa escola brutal da consciência humana.
Cada gesto importa ... cada olhar calcula ... cada respiração resiste.
Ali dentro ... um homem aprende que o desespero pode ser convertido em disciplina ... que a solidão pode produzir clareza e que até o sofrimento pode ser reorganizado em método.
Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento usando como meio de transporte excelentes filmes disponíveis no streaming do cine belas artes a la carte.
Eles me levaram para a França de 1956 ... onde fui recebido pelo Tenente Fontaine ... a quem fui logo pedindo:
Ensina-me algo que eu ainda não saiba … mas que tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.
- O homem começa a se libertar quando transforma o desespero em disciplina silenciosa.
- Uma alma que preserva esperança ... sentido e clareza jamais estará completamente presa.
Fontaine é o protagonista do filmaço “Um condenado à morte escapou” que acabo de ver e recomendo.
Ele aprende a transformar medo em estratégia ... solidão em lucidez e sofrimento em método.
Sua luta pela fuga torna-se ... acima de tudo ... uma batalha para preservar a própria consciência diante da opressão extrema.
Talvez seja por isso que o filme nos atinge tanto:
Porque fala menos sobre escapar de muros e mais sobre impedir que o mundo aprisione aquilo que existe de mais livre dentro de nós.
Seu subtítulo “O vento sopra onde quer” é uma referência bíblica ao espírito humano e à liberdade invisível que resiste até nas condições mais brutais.
Ao final ... a reflexão transcende o filme e se dirige ao espectador ... lançando uma pergunta que ecoa muito além da tela:
“Quantas grades da sua vida continuam trancadas por fora … e quantas, na verdade ... sempre estiveram abertas por dentro?”.
*Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco.
