Quando a diversidade cultural agrega valor (também) aos negócios

Publicado em 11/05/2022 às 06:00.

Marcelo dos Santos*

Promover diversidade cultural e inclusão nas empresas é uma iniciativa bastante importante no enriquecimento da cultura organizacional, além de aumentar a produtividade e o lucro nos negócios, por meio da troca de vivências e experiências que alimentam ideias e inovação. Dentro do mercado de trabalho, esse compartilhamento pode ser muito valioso para o sucesso das empresas e faz com que os colaboradores tenham um forte sentimento de pertencimento àquele lugar e de união com os demais colegas.

Embora seja uma maneira de praticar a justiça social, aliás, esse é o princípio-base dessas iniciativas, o investimento na diversidade cultural dentro das organizações tem se tornado uma tendência no mercado de trabalho. Um estudo realizado pela Mckinsey em 2020 reforçou o vínculo entre diversidade e performance financeira das empresas, o que torna as estratégias de inclusão uma vantagem competitiva no mercado em que atua. Segundo o estudo, empresas mais diversas étnica e culturalmente tiveram um resultado 36% superior às menos diversas.

Para a realização da pesquisa, foram analisadas diferenças raciais e culturais em seis países. Os dados indicaram que as companhias com maior diversidade étnica, em equipes de gestão, têm 33% mais propensão à rentabilidade. Já as que possuem menos diversidade étnica e de gênero, por exemplo, são menos lucrativas, pois são 29% menos propensas ao maior desempenho financeiro do que as outras. O relatório também sugere que empresas cujos líderes recebem bem talentos diversos e incluem múltiplas perspectivas, têm mais chances de sair de crises mais fortes.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também comprova que empresas preocupadas com diversidade têm lucros maiores, entre 5% e 20%. Na medida em que uma empresa possui melhor compreensão e conexão em todo seu ecossistema, a diversidade passa a elevar o grau de inovação e de aperfeiçoamento de processos, produtos e serviços. Mais do que gerar melhores resultados, a diversidade e inclusão podem garantir aos colaboradores um ambiente organizacional mais saudável, e esse é um fator determinante para que os melhores talentos do setor busquem trabalhar nessa companhia.

Nos dias atuais, apenas um bom salário ou benefícios comuns não são suficientes para atrair e reter profissionais qualificados. O novo profissional do mercado espera trabalhar em um ambiente acolhedor, que traga novas perspectivas à sua carreira, como ideias, conhecimentos amplos e inovações na implantação de processos, algo que só é possível alcançar com uma equipe diversa. É o que afirma o estudo da Randstad, realizado com 35 mil colaboradores, em 34 mercados diferentes, e divulgado recentemente.

Os números são muito claros. De acordo com a pesquisa, como um sinal de crescente interesse em causas sociais, 41% dos entrevistados disseram que não aceitariam um emprego em uma companhia que não estivesse disposta a fazer esforços para melhorar sua diversidade e a inclusão no ambiente corporativo.

Além disso, como um indicador de apoio à equidade nas organizações, 13% afirmaram que gostariam de receber treinamento para combater o preconceito inconsciente no local de trabalho e 33% prefeririam o desemprego a ser infeliz em um emprego.

Por esse motivo, criar e implementar programas que acolham a diversidade de perfis é algo que deve ser legítimo e vivenciado na cultura da empresa, bem como realizar processos seletivos igualitários e aplicar capacitação para esses profissionais. Além disso, com a evolução da tecnologia e a implantação do home office, é possível admitir pessoas até mesmo de outros estados e países, contribuindo ainda mais para a troca de culturas entre as equipes.

Implantar essas iniciativas nas empresas não é uma tarefa fácil, porém, é algo fundamental e que vem sendo defendido em grandes e pequenos negócios. Abrir vagas que selecionem candidatos destes grupos sociais mostra que a companhia não se preocupa apenas com resultados, mas, sim com uma sociedade mais igualitária. Uma empresa é uma representação da sociedade onde está inserida, portanto, é preciso refletir a diversidade que existe nela. As pessoas são o centro de toda a inovação e seus diferentes pontos de vista, formações e bagagens culturais permitem o surgimento de ideias arrojadas.

*Sócio-fundador e vice-presidente de Serviços e Pessoas da Iteris 

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