Quando um filho descobre que sabe mais do que os pais

Mauro Condé
Publicado em 06/08/2022 às 06:00.

“Não subestime começos humildes” – Amyr Klink.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre empreendedorismo.

Eles me levaram para Malawi, na África, onde fui recebido por William Kamkwamba, a quem fui logo pedindo: ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

-Confie e acredite em você e independente do que acontecer, não desista.
Único filho homem numa família com mais seis irmãs, ele aprendeu desde pequeno a trabalhar como um simples camponês em plantações de milho para ajudar no sustento da família.

Em 2001, eles tiveram o azar de viver o período de seca mais prolongado da história que os colocou frente a frente com a fome e a miséria extrema.

Era apenas uma refeição por dia em pratos minúsculos e eles mal sentiam a comida passar por seus corpos.

As dificuldades aumentaram tanto que Kamkwamba foi obrigado a abandonar a escola porque seu pai não conseguia o dinheiro para pagar a mensalidade.

Rebelde, ele passou a frequentar a biblioteca nos fundos da escola para estudar de maneira autodidata e clandestina com a cumplicidade da bibliotecária.

Um dia sentiu que, por causa dos estudos, sabia mais do que o seu próprio pai, o qual via constantemente envergonhado e perdido no meio dos campos secos e então resolveu que precisava fazer alguma coisa para ajudá-lo a salvar a comunidade.

Diante de um futuro que não podia aceitar, descobriu a resposta nos livros que devorava como se fossem um prato de comida.

Foi lendo uma enciclopédia sobre energia em inglês (que ele mal dominava) e copiando suas figuras e diagramas que ele teve a ideia de construir um moinho de vento.

Taxado como louco varrido, não desistiu e usou um brutal poder de convencimento para angariar partes da bicicleta do seu pai (o quadro e o dínamo gerador) e mais alguns materiais recolhidos num ferro velho com a ajuda de amigos (ventilador de trator usado, canos de PVC e pedaços de bambu) para finalmente erguer a tão sonhada invenção salvadora.

Com a sua turbina eólica improvisada, conseguiu gerar eletricidade para mover uma enorme bomba d ‘água e com ela irrigar toda a sua aldeia, fazendo com que todos voltassem a ter o que comer de forma digna.

Retratada no filme “O Menino Que Descobriu o Vento” no Netflix, a história de Kamkwamba prova cientificamente que “O Conhecimento Salva”.

 Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco

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