
Aristóteles Drummond*

Está sendo lançada nova edição das memórias do advogado Heleno Fragoso, que por um quarto de século, marcou presença relevante na defesa dos direitos humanos, na fase em que o Estado brasileiro e a sociedade tiveram de reagir a atos de violência política de forma exagerada e até cruel em muitos casos. Heleno Fragoso não os desamparou.
Não os distinguiu dos que enfrentaram o arbítrio sem apelar a violência como a notável Niomar Moniz Sodré, o intelectual Caio Prado Júnior e o editor Ênio Silveira, mas a todos, muitos sem cobrar honorários defendeu. Escravo do Direito, Heleno Fragoso legou a seus alunos e ao mundo jurídico nacional estes princípios.
Titular de importante e próspera banca, quando se tratava dos direitos de militantes de baixa renda, nunca cobrou honorários. Ao lado do culto à liberdade e aos direitos humanos, da democracia, Heleno teve centenas de alunos, que formou com amor e idealismo. Uma geração notável que incluem Nilo Batista, Evaristo de Morais Filho, Alexandre Lavigne, Evandro Lins e Silva e Técio Lins entre outros.
Na redemocratização, voltou a ser catedrático por concurso. O Brasil viveu uma época rica de notáveis do Direito, inclusive na defesa do regime — nunca da tortura —, como os grandes mestres da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP - Gama e Silva, Miguel Reale, Alfredo Buzaid, Vicente Rao,- Carlos Medeiros da Silva e Leitão de Abreu, entre outros.
Destes anos ficaram os alertas para aqueles que fogem da lei, mesmo que com boas intenções, como policiais e magistrados.
A democracia impõe responsabilidade e respeito a legados como o do admirável Heleno Fragoso, com quem nem sempre se precisou concordar, mas a quem sempre se deve respeitar pelo legado.
Feliz iniciativa da família a reedição ampliada pois estes exemplos devem ser sempre lembrados.
*Jornalista