Um pouco de solidão faz muito bem para a saúde

Publicado em 30/07/2022 às 06:00.

Mauro Condé*

“Deus costuma usar a solidão para nos ensinar sobre a convivência.

Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades e, para viver bem a dois, antes, é necessário aprender a ser um”. Prof. Fernando Andrade.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes obras de arte disponíveis nos mais belos museus virtuais do mundo.

Eles me levaram para a Nova York do ano de 1966, onde fui recebido por Edward Hopper, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

- Seja como a água que corre sob a ponte – aprenda a fazer fluir o melhor que existe dentro de você a partir da saudável fonte da solidão.

Hopper deixou sua marca neste mundo como o artista que melhor pintou a solidão humana.

Como Freud, que buscava a cura pela palavra, Hopper a encontrou pela imagem.

Dono de uma habilidade impressionante, ele pintava quadros com aparência triste e melancólica sem transmitir tais sentimentos para seus observadores.
Solitário de carteirinha, ele tinha grande familiaridade com a solidão desde a infância.

Sua grande missão na vida era transformar a solidão, de forma terapêutica, em matéria prima para o autodesenvolvimento e para o autoconhecimento como forma de aprimorar nossos relacionamentos.

Ele criou o efeito Hopper ao nos ensinar que um pouco de solidão faz muito bem para a saúde.

De todas as pinturas fascinantes deste artista, eu destaco “Automat, Gasolina e Compartimento C, Vagão 293”.

Hooper amava a atmosfera da introspecção e conseguia representá-la magistralmente em telas que refletiam o interior de grandes lanchonetes vazias, postos de gasolina no meio do nada e de vagões de trens semi vazios em movimento que avançavam pela paisagem.

Suas telas nos proporcionam um distanciamento de nós mesmos e um olhar para a vida de um jeito que de outra forma não seria possível.

Inspire-se na arte de Hopper e abrace, de vez em quando e sem medo, a solidão.

Algumas das ideias mais revolucionárias do mundo vieram de grandes mentes solitárias, como Einstein, Spielberg, Jobs, Van Gogh, Chopin, Bill Gates e Gandhi.

Os gênios costumam conquistar o que conquistam não “apesar de” mas “por causa de” seus momentos mágicos de solidão e introspecção.

Foi do isolamento que nasceu o primeiro computador Apple.

*Palestrante, consultor e fundador do Blog do Maluco

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