Aristóteles Drummond*

Cachoeira do Campo foi o segundo lugar do Brasil a receber os salesianos italianos que vieram primeiro para Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Ocuparam com sua escola, que formou durante um século o que havia de melhor em Minas, o antigo quartel onde serviu Tiradentes.
O histórico educandário, que fez do distrito de Ouro Preto referência na presença salesiana em Minas até hoje, abriga um hotel de alto padrão, do grupo português Vila Galé.
Nas pesquisas e estudos permanentes sobre a presença salesiana, ressurge a figura do Padre Braz Musso, que dirigiu o colégio por décadas na primeira metade do século XX.
O religioso nascido na Itália, perto de Turim, veio muito jovem, recém-ordenado, para o Brasil, ficando mais de 20 anos em Recife, onde se tornou conhecido e admirado pela ação de educador e evangelizador. Transferido para Minas, foi dirigir o Colégio Dom Bosco, em Cachoeira do Campo, onde marcou décadas pela eficiência, dedicação e força espiritual.
O educandário estava para fechar, sobrevivendo graças à dedicação do Padre Carlos Peretto, já com idade avançada. Braz Musso acompanhou o clérigo até seus últimos dias e logo assumiu a direção da escola, que, para surpresa e admiração geral, restaurou e recuperou em poucos anos de árduo trabalho.
Ao completar meio século de ordenado, em 1952, as mensagens de afeto e reconhecimento vieram de diferentes partes do Brasil e até do exterior. Humilde, simples, mas altamente preparado, ele já era uma das referências da ordem no Brasil.
Recentemente a lembrança do Padre Braz Musso vem sendo estudada pela comunidade salesiana da localidade – os registros, depoimentos, referências – e começa a se esboçar movimento para o fazer venerável, podendo evoluir para beato e, por fim, santo. A devoção na localidade já vem de longe.
Cachoeira do Campo possui uma das mais antigas e belas igrejas do início do século XVIII em Minas, a Nossa Senhora de Nazaré, onde Padre Braz oficiou centenas de missas ao longo de sua presença ali.
Em Roma, avança a santificação de Nhá Chica, de Baependi, cuja causa tem no mineiro de Minas Novas Humberto Mota um patrono dedicado, tendo há meses sido recebido pelo Papa Leão XIV com o Padre Jorjão, responsável pelo acompanhamento no Vaticano do processo.
*Jornalista