É bom, mas dá um desespero.
Para quem estuda, esta época do ano é aquela em que a primeira quinzena dura vinte e oito dias úteis, de acordo com os meus alunos do Cefet, e a segunda quinzena possui três dias de recesso.
Para nós, professores, é exatamente o contrário. A primeira quinzena, com seus prazos curtíssimos, que vinham se arrastando desde algum lugar longínquo entre fevereiro e julho, simplesmente chega como aquela visita inesperada, que ninguém mais faz hoje em dia, mas sobre a qual todos nós já ouvimos falar. No susto!
Fechar o bimestre? Sonho.
Terminar a matéria completinha, no capricho e sem correria? Sonho².
Submeter aquele artigo para publicação, elaborar relatório de projeto de pesquisa, corrigir provas, fazer recuperação paralela e fechar notas? Sonho fatorial!
Curioso é que, no Cefet, o primeiro semestre termina com o que chamamos de Semana das Somativas. Provavelmente porque durante esse período, soma-se a ansiedade, o cansaço e as preocupações.
Multiplica-se tudo isso por uma avaliação estilo vestibular para cada disciplina. O resultado é igual a desastre natural.
Aliás, para mim, o mês de julho poderia facilmente ser renomeado para tsunami, sem qualquer prejuízo semântico.
Ele chega em forma de onda.
E salve-se quem puder.
A segunda quinzena já se parece mais com a percepção dos alunos. São poucos dias para tanto sono acumulado, para equilibrar os chakras, terminar aquela leitura prazerosa iniciada em janeiro e comer uma canjica em paz…
Para você ter uma ideia, estou foragido da academia há uns quatro meses. Na terapia vou semana sim, semana não. Meu terapeuta já deve estar precisando de um terapeuta para aprender a lidar com as minhas ausências.
Não dá tempo, Adilson. Aliás, pega mal mandar recado para o terapeuta por meio de uma crônica de jornal? Dizem que carro apertado é que canta. Do jeito que anda o fim deste semestre, daqui a pouco gravo um DVD ao vivo.
A gente passa o semestre inteiro repetindo a mesma frase: "Quando julho chegar, eu descanso." Julho chega. Depois vem agosto… dezembro. Fevereiro aparece de novo e, quando percebemos, já estamos reclamando do trânsito durante o Carnaval.
Começo a desconfiar de que o problema é acreditar que, em algum momento, a vida vai parar para nos dar um tempinho para respirar. O fim de semestre parece inspirado na Divina Comédia. A única diferença é que Dante encontrou a saída no final, nós ainda estamos fechando as notas.
Mas me conta uma coisa, será que você vai descansar neste julho ou isso é só mais uma atividade prevista para o próximo semestre?