Tiago ReisInvestidor há mais de 15 anos, fundador e CEO da casa de análise financeira Suno Research.

Top 3 empresas para segurar pelos próximos 10 anos

01/10/2021 às 17:24.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:59

Você já ouviu falar do “buy and hold”? Na tradução literal, significa “comprar e segurar”. Trata-se de um método muito utilizado pelos investidores adeptos ao “value investing”, estratégia que acredita no crescimento das empresas no longo prazo. Warren Buffett, logicamente, segue essa linha e possui em seu portfólio empresas que comprou ainda nos anos 1980, como a Coca-Cola, por exemplo. 

Como eu também sou fã de comprar boas empresas com foco no longo prazo, selecionei três ações que acredito que daqui 10 anos serão maiores, mais rentáveis e que estarão pagando dividendos mais altos do que pagam hoje. Escolhi empresas de setores diferentes, com características totalmente diferentes umas  das outras. Ficou curioso? Quer saber quais são as três melhores empresas para segurar pelos próximos 10 anos? Continue a leitura.

Boa Safra (SOJA3)

A Boa Safra fez um IPO recentemente, é uma small cap, vale cerca de  R$ 1 bilhão. O que gosto na Boa Safra, sobretudo, é que ela alia crescimento com rentabilidade. Falando de rentabilidade, é uma empresa bastante rentável, com ROE (Return On Equity), que significa retorno sobre o patrimônio líquido, na casa de 60% e um ROIC  (Return On Invested Capital), que quer dizer retorno sobre o capital investido, por volta também desse patamar.

A Boa Safra tem sido bastante rentável ao longo dos últimos anos e acredito que ela consiga fazer isso porque é um dos raros negócios no mundo agro de asset light, ou seja, que tem poucos ativos. Acredito que o grande diferencial da Boa Safra frente a seus concorrentes, muitos nem são listados, é justamente este, ter terceirizado as fazendas necessárias para sua produção. Ou seja, basicamente, a empresa não tem fazenda, não carrega esse ativo, só possui o ativo industrial, que é uma fábrica que não despende um capital muito grande.

Além disso, a empresa consegue ter um giro de ativo bastante interessante e uma margem ok, que não é a maior do mundo, mas como o giro de ativo é muito alto, eles conseguem ter uma rentabilidade muito interessante. Seus concorrentes parecem não ter a mesma capacidade de execução, são concorrentes que não têm o mesmo acesso à capital e governança que eles têm.

Na minha visão, a empresa tem tudo para crescer.  Primeiro, porque a produção de soja no Brasil, que é o grande comprador, cresce por volta de 5% ao ano. Segundo, porque o consumo de insumo, que é o que ela vende, insumo para produção, cresce ainda mais, cerca de 8% a 9% ao ano. Então tem a produção crescendo, o consumo crescendo ainda mais e acho que tem oportunidade para empresa ganhar participação de mercado.

No momento do IPO ela tinha por volta de 6% de market share, o líder nos Estados Unidos tem 23%, então ela tem condição de ter uma participação ainda maior. Na hora que você pega o crescimento do mercado, crescimento do insumo e crescimento do marketing share, que vem tanto com novas fábricas que já anunciaram, como com potenciais aquisições, acho que a empresa pode ter uma participação de mercado muito maior mais para frente. Daqui 10 anos, ela tem tudo para ser uma empresa muito maior.

Além disso, está num setor que não tem muito a ver com a economia brasileira, está inserido na cadeia do agribusiness, da soja e obviamente o Brasil é o grande exportador, a empresa tem uma correlação menor com a economia interna. Lembrando que está num valuation interessante para uma empresa de crescimento, por volta de 14, 15 vezes lucro. 

Engie Brasil (EGIE3)

A Engie Brasil é uma empresa madura, quase 50 vezes maior em valor de mercado que a Boa Safra, é a maior empresa privada de energias do Brasil. Então, não vai ter aquele crescimento que a gente espera, mas por outro lado é uma empresa que já está retornando capital em forma de dividendos. 

É  a empresa mais rentável historicamente do setor elétrico, tem um balanço super sólido, empresa que paga bons dividendos, privada, controlada por uma multinacional europeia, o que acho que traz padrões de governança e compliance muito fortes, então acho que é uma empresa que deve crescer moderadamente ao longo do tempo. Eu me surpreenderia se nos próximos 10 anos tivesse algum problema vindo da Engie, considero uma das ações mais seguras da bolsa. 

Facebook (FBOK34)

O Facebook não é só o Facebook, a rede social que todo mundo conhece. O grupo possui o Instagram, o WhatsApp e unidades de negócio que ainda não produzem tanto resultado, mas acho que podem vir a ser representativas nos próximos 10 anos, como a unidade de realidade aumentada, que deve ser o futuro e eles têm investido muito e estão na frente nessa corrida. 

Hoje os principais negócios deles são publicidade no Facebook e no Instagram, é isso que traz uma baita receita para a empresa. Assim, o Facebook tem margem alta e um crescimento que vem de duas frentes: mais usuários que usam as plataformas e negócios aumentando o budget de publicidade para as mídias digitais, abandonando de vez as mídias tradicionais, como TV, rádio. Acredito que tem tudo para triplicar o número de anunciantes da empresa no curto prazo 

Além disso, o Mark Zuckerberg merece a nossa confiança, afinal, é um cara que já ganhou batalhas importantes: ganhou do Orkut, que era do Google, comprou o Instagram quando se sentiu ameaçado, quando não conseguiu comprar o Snapchat foi lá e criou os stories. É por isso que confio meu dinheiro no Facebook e estou apostando minhas fichas na empresa. 

E você, quais as empresas que você não vai vender de jeito nenhum nos próximos 10 anos? 

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