Tiago ReisInvestidor há mais de 15 anos, fundador e CEO da casa de análise financeira Suno Research.

Vale a pena investir em startups? Conheça a G2D Investimentos (G2DI33)

14/09/2021 às 18:38.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:52

Startups são empresas emergentes que buscam desenvolver um modelo de negócio escalável, disruptivo e repetível. Com o avanço da tecnologia, cada vez mais surgem empresas com essas características e justamente por serem iniciantes, basearem-se fortemente em tecnologia e oferecerem produtos e serviços diferenciados e inovadores. Apresentam-se como grandes oportunidades de negócios para quem tem visão e um tanto de coragem. Afinal, um dia, num passado não tão distante, Netflix, Google, Facebook também foram startups.

Hoje, resolvi escrever sobre a G2D Investimentos (G2DI33): uma holding que investe em várias startups mundo afora e que já tem 8 unicórnios em seu portfólio. Ou seja, empresas que valem mais de 1 bilhão de dólares. Por meio da G2D é possível que você também invista em startups. Quer conhecer um pouco mais? Continue a leitura e confira o que descobri durante um evento que participei com os sócios e fundadores da companhia.  

Holding ou fundo? O que é e o que faz a G2D? 

A G2D é uma companhia aberta com capital permanente. Ela não é um fundo, podemos sim chamar de holding, mas não é uma gestora. A empresa tem capital permanente e só investe seu próprio capital e, por isso, não tem um prazo específico nem para investir os recursos, nem para desinvestir os recursos. 

Isso, segundo os fundadores, garante uma série de benefícios: investimentos só acontecem se as oportunidades realmente forem boas, a empresa se torna parceira do empreendedor no longo prazo e ele pode ter uma jornada muito mais longa do que os prazos típicos de fundos de investimentos. 

Além disso, é possível permanecer com as companhias que mais geram valor durante muitos e muitos anos e a empresa não precisa desinvestir para distribuir capital para seus investidores, já que os acionistas que têm as BDRs na B3, se precisarem de liquidez, podem vender a ação a qualquer momento. “É o melhor dos dois mundos: liquidez imediata, mais as vantagens de investir em longo prazo em empresas que geralmente criam valor exponencial”. 

Como a G2D gera caixa?

A G2D gera caixa basicamente quando investe nas companhias e depois desinveste de algumas companhias. Esse dinheiro, no desinvestimento, volta para o caixa da empresa e é então reciclado, reinvestido em novas companhias de altíssimo potencial de crescimento. É um modelo bastante simples de entender: ou a empresa tem caixa ou tem companhias investidas em seu portfólio. Lembra, de certa forma, uma construtora, que coloca dinheiro num terreno, desenvolve e depois vende a propriedade já pronta. A G2D investe em empresas e eventualmente tem uma saída lá na frente, embolsando o lucro. Efetivamente, este é o modus operandi.

Com a Coinbase, por exemplo,  a G2D teve um retorno de 30 vezes o capital investido, saindo no momento do IPO da companhia. Dessa forma, 6 milhões de dólares voltaram para o caixa da G2D para serem reinvestidos. Aliás, é bem comum para a empresa entrar nos negócios depois que eles deixam de ser startups e sair no IPO ou numa venda. “Nosso ciclo numa companhia deve ser no ponto em que a gente entra, que é quando a startup ainda é incipiente, mas está começando a crescer, até o ponto que deixa de ter o retorno exponencial e aí, neste momento, a nossa obrigação é vender, sair e reciclar o capital com novas transações”. 

A G2D recebe dividendos das empresas investidas? 

Este não é o perfil, porque a G2D  investe no momento em que as empresas ainda estão começando a crescer, ou seja, acabam reinvestindo todo o lucro no próprio negócio. Assim, distribuir dinheiro para acionista não faz sentido na estratégia das startups, dado que existe oportunidade de crescimento exponencial. “A G2D não investe em companhias que estão com cabeça de dividendos, investe em companhias que estão focadas em descobrir como usar melhor seus recursos para crescerem exponencialmente”.

A G2D pretende pagar dividendos em breve? 

Não, afinal a ideia é pegar os lucros que obtém, reaplicar em novas empresas e aumentar o chamado NAV (Net Asset Value). “Nós temos acesso a muito mais oportunidade do que a capital, o trabalho de conseguir juntar essas oportunidades todas está feito. Para o bem da companhia e dos acionistas a gente continua investindo, essa é a tese”. 

Mesmo para quem ama dividendos, como eu, deve entender que existem excelentes oportunidades em empresas que não pagam dividendos, como Facebook, Google e outras. Fazer bons investimentos e reciclar este capital e daí ter uma valorização ao longo do tempo também pode ser muito interessante e lucrativo. 

Qual o tratamento tributário?

A G2DI33 é um BDR, então é um tratamento tributário de BDR, não propriamente de ação. 

Qual a estrutura societária?

A G2D não é uma empresa com sede no Brasil, apesar de ter seus principais executivos no Brasil. É uma companhia global, que possui times e companhias espalhadas por vários países. “Quando nós estávamos concebendo a G2D nós acreditamos que faria sentido incorporá-la fora do Brasil para quem tivesse a capacidade de investir globalmente, além, claro, da eficiência fiscal”.

A empresa é sediada nas Bermudas, está listada na bolsa de lá e tem BDRs na B3. Mas, seu objetivo sempre foi democratizar o acesso desse tipo de investimento para os brasileiros, então toda a liquidez da empresa está na B3 na forma de BDRs. “Essa estrutura permite eficiência fiscal, permite que a gente invista bem tanto no Brasil quanto fora do Brasil e garante, de fato, que a gente consiga continuar crescendo a empresa para muito além das fronteiras brasileiras, que é tão importante no mundo da tecnologia que viaja entre as geografias”. 

Vão investir em mais outras empresas ou o portfólio está fechado? 

Segundo os fundadores, a G2D está longe de fechar seu portfólio, tem hoje no radar novas oportunidades e pretende continuar investindo. “A origem dos recursos para isso é que a nossa empresa ainda tem caixa disponível e vamos investir esse caixa em novas oportunidades, assim como a gente vai utilizar recursos advindos da venda de participações das companhias que a gente tem no portfólio hoje para continuar investindo”.

O objetivo é aumentar o valor dos ativos por meio da gestão do portfólio atual e também de fazer investimento reciclando o capital em oportunidades que tenham crescimento exponencial. “O investidor de bolsa não está acostumado a ter acesso a companhias privadas de altíssimo crescimento, então temos um grande trabalho educacional e a missão da G2D é democratizar isso, trazer isso para quem tem 10 mil reais para investir ou para quem tem 10 milhões de reais para investir”.

E aí, gostou de conhecer melhor a G2D? Vale ou não a pena investir em startups na sua opinião?

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