Um dos convidados da cerimônia de posse do governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o ex-governador Fernando Pimentel (PT) foi vaiado enquanto transferia o Grande Colar da Inconfidência para o novo gestor do Estado O evento, realizado na manhã desta terça-feira (º), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, contou com a presença de deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos e representantes das câmaras municipais.

Em resposta às manifestações e para marcar o encerramento da gestão, Pimentel se pronunciou pelas redes sociais pouco depois do encerramento da solenidade.

O ex-governador afirmou que “chega-se ao governo quase sempre com a arrogância das verdades absolutas e a certeza das definições pré-concebidas”. Escreveu, ainda, que quando se deixa o cargo, após quatro anos de mandato, tem-se “a consciência das limitações que o exercício democrático do poder impõe a quem desempenha a tarefa com compromisso ético e cidadão". 

Pimentel disse ainda que governou Minas Gerais durante o período mais difícil da República e que enfrentou a maior crise econômica e política da história. 

Leia o pronunciamento do ex-governador de Minas, Fernando Pimentel, na íntegra:

“Chega-se ao governo quase sempre com a arrogância das verdades absolutas e a certeza das definições pré-concebidas.

Certamente esse não foi o meu caso, porque quase 30 anos de vida pública me protegeram dessa ilusão.

Mas quando se deixa o cargo, após quatro anos de trabalho incessante e penoso, inevitavelmente o fazemos com a humildade da experiência e com a consciência das limitações que o exercício democrático do poder impõe a quem desempenha a tarefa com compromisso ético e cidadão.

Governamos Minas no período mais difícil da República. Enfrentamos a maior crise econômica, política e institucional da nossa história. E em nenhum momento nos afastamos do nosso compromisso com a inclusão social, com a busca do desenvolvimento sustentável, com a justiça e com a solidariedade. E, o mais importante, conseguimos manter as atividades essenciais funcionando plenamente. A polícia está nas ruas, hospitais e escolas funcionam, as estradas estão conservadas, enfim, Minas está de pé.

Tivemos resultados importantes na segurança, no apoio à agricultura familiar e aos produtores rurais em geral, no meio ambiente, na modernização tributária, na atração de investimentos, na assistência social e na educação. Infelizmente, a crise fiscal que herdamos impediu maiores avanços. Escolhas difíceis foram feitas, mas conseguimos evitar que os serviços públicos em Minas entrassem em colapso, como lamentavelmente sucedeu com outros estados da federação.

Ao final dessa etapa, há que agradecer. Em primeiro lugar ao povo mineiro, que me elegeu e apoiou nas escolhas que fizemos nesse período. Aos poderes constituídos, Legislativo e Judiciário, e ao Ministério Público: com todos eles construímos um ambiente de harmonia e cooperação em prol dos mineiros, sem jamais abrir mão dos deveres constitucionais de cada um. Da mesma forma e pelo mesmo motivo, agradeço ao Tribunal de Contas do Estado.

Agradeço a minha equipe, leal e operosa, com a qual dividi as agruras do Governo. A minha família, minha esposa e companheira, aos meus filhos, pelo carinho e pela compreensão, em meio à tempestade desse período. E a Deus, por nos dar paciência, discernimento e capacidade de resistir à atribulação.

Desejo ao novo governador sorte e sucesso no seu mandato. Encerro mais uma etapa da caminhada que minha geração começou há cinquenta anos, na luta contra a ditadura, pelas liberdades democráticas, pelos direitos civis e pela justiça social. Novos desafios se levantam, outros embates virão. Mas os sonhos, esses não envelhecem, já disse o poeta. Renovo meu sonho, com o sentimento profundo das palavras bíblicas: 'combati o bom combate e guardei a minha fé.'

Feliz 2019 a cada um dos mineiros e mineiras!”

Leia mais:

Governador eleito em Minas, Romeu Zema toma posse na Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte

Em discurso na Cidade Administrativa, governador Romeu Zema diz que austeridade marcará novo governo