Houve um tempo, bem remoto, diga-se de passagem, em que as cores eram usadas para distinguir classes sociais ou mesmo poder financeiro, como o vermelho, o roxo e o dourado, tons exclusivos da nobreza e do alto clero. Naquela época, não havia diferenciação de gênero pelas cores, o que veio a acontecer há cerca de um século.

No entanto, ao contrário do que afirmou recentemente a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, o rosa era para meninos e o azul, para meninas.

Foi a megastore norte-americana Macy’s que primeiro levantou a questão, afirma Blanca Lhane, expert em cores e estilos da Pantone no Brasil. “A loja lançou um programa, por volta de 1920, para ajudar a clientela a definir cores para as compras. Segundo a Macy’s, os meninos, por serem mais pálidos, ficariam melhor de rosa. Já as meninas estariam melhor de azul. O protocolo durou três décadas”, diz.

Porém, as tonalidades acabaram por se inverter após a Segunda Guerra Mundial, quando, pela escassez de mão de obra masculina, as mulheres começaram a realizar atividades antes voltadas aos homens. “O rosa tornou-se uma cor de rebeldia feminina, sendo símbolo de uma mulher moderna”, revela Blanca Lhane.

Além do protocolo, Moda

Guiadas por stylists, as celebridades parecem quase sempre acertar nas escolhas do vestir. No entanto, postas lado a lado, as imagens revelam quais tonalidades de rosa (e abaixo azul) harmonizam melhor com peles, cabelos e olhos das artistas – as deixam mais “bonitas”. As fotos do alto mostram grandes acertos, já as de baixo apresentam looks lindos, claro, mas em cores que acabaram por alterar o tom de pele natural ou mesmo acentuaram linhas de expressão. Usamos como exemplos uma celebridade de cada cartela. Jennifer Lopez, que está na de Outono; Amy Adams, Primavera; Viola Davis, Inverno; e Reese Witherspoon, Verão

Guia

De lá pra cá, apesar de todas as mudanças sociais, culturais e tecnológicas, ainda há muita gente que emprega a convenção de cores, a exemplo dos chás de revelação, nos quais o tom do recheio do bolo indica o sexo do bebê.

Hoje, há plena liberdade do uso das cores e são mandatárias as escolhas individuais na composição de estilo. Contudo, selecionar aquelas que harmonizam melhor com a sua coloração pessoal pode aprimorar a imagem social e profissional, seja vestindo azul ou rosa.

De acordo com a consultora de imagem Luiza Oliveira, fundadora da Plural Espaço de Moda, a ideia é sempre valorizar a pessoa em seus atributos naturais. “Dica fácil para quem quer usar uma cor é pensar no cabelo, pele e olhos. Se a cor da roupa for da cor dos seus olhos, por exemplo, vai cair bem”, ensina.

Para entendermos qual o melhor azul ou rosa para cada indivíduo, é preciso fazer o teste de coloração pessoal, sendo que, certamente, há um tom apropriado para intensidade e temperatura de pele.

“É fato, essas duas cores são encontradas em maior quantidade nas cartelas frias, Verão e Inverno (entenda as diferenças das estações abaixo). Hoje, trabalhamos com personalização, sendo a cartela somente um guia. Não tem mais essa regra do pode ou não pode. Há as cores da sua harmonização e aquelas com as quais você se identifica, ou que conversam com o seu objetivo de imagem”, explica a especialista. 

Além do protocolo, Moda

De pele quente, J.Lo assenta melhor com azul mais profundo, o chamado “azul fiel”. Quando a cantora usa a versão mais “bebê” da cor, é possível perceber mudança no tom natural de pele. Amy Adams, ruiva de nascença e também de pele quente, acerta mais ao optar por azuis mais acesos, que têm amarelo na composição. As nuances mais suaves da cor darão a ela tom mais sério e uma aparência mais madura. Reese Witherspoon, que tem a harmonia pessoal fria, combina melhor com os tons mais pálidos, que não contrastam com suas características físicas. Já Viola Davis, que também tem pele fria, ganha pontos ao escolher os azuis mais próximos ao violeta 

Estações

É convencionado que todos os indivíduos se encaixam em uma das 12 cartelas de cores do método chamado de Sazonal Expandido, usado pelas especialistas em consultoria de imagem. 

As quatro principais são as estações que já conhecemos e as outras oito, variações em cima delas. Verão e Inverno são consideradas frias, pois têm disponível mais luz branca. No Outono e na Primavera, estações consideradas quentes, predomina a luz amarelada.

“A diferença dos azuis para as estações é a seguinte: o Verão e o Inverno possuem azuis mais puxados para o violeta. Já na Primavera, temos o azul ciano, com um pouquinho de amarelo e, no Outono, os azuis mais aprofundados”, explica Luiza Oliveira.

O rosa, que é uma cor mais quente que o azul, também guarda variações. “É mais esfriado quando o fundo é esbranquiçado, como no Verão. No Inverno, é um rosa mais puro, além dos aproximados dos violetas. Já os rosas da Primavera e do Outono tendem a ser mais avermelhados”, esmiuça a especialista.

Cores de 2016, Pantone

Cores de 2016 foram tão bem aceitas que permanecem em alta até hoje

Cores do Ano

As cores do ano lançadas pela Pantone em 2016, o rose quartz (ou millennial pink) e o serenity, foram um dos maiores acertos até hoje, segundo Blanca Lhane, expert da empresa. 

“Foi a primeira vez que a empresa lançou um duo de cores, que acabou mostrando a relevância da questão de gênero. Foi uma mensagem de liberdade do uso de cores, porque a escolha pessoal é muito mais importante que um protocolo”, observa, comparando o sucesso imediato da dupla com a cor de 2019, o Living Coral. 

Blanca explica que os estudos para a cor do ano envolvem especialistas em todo o mundo. “O discurso internacional de tendências leva em consideração as percepções de como as pessoas se comportam mundialmente para que o mercado possa ter produtos relevantes para os hábitos de consumo”.

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