Desde os primórdios, até hoje em dia... o homem categoriza coisas. Eram frutinhas boas e venenosas, bicho manso selvagem e hoje se categoriza tudo, até pensamento. No mundo dos games não é diferente. Se há 40 anos tudo era videogame, hoje há segmen-tações para diferentes estilos: tiro, corrida, futebol, RPG e por aí vai. No entanto, surgiram os nichos dos nichos. Caso dos games de corrida. 

Hoje existem três segmentos muito distintos: arcade, simcade e simulador. Eles se diferenciam pelo nível de realismo e desafio, pela ordem apresentada. Mas essa categorização é quase apócrifa, o que gera discussões calorosas nas redes sociais. É como se todos os problemas da humanidade se resolvessem se “Need For Speed” tivesse outra prateleira para não ficar ao lado de “rFactor”. Mas isso não era assim.

Mistureba

Lá atrás tudo era corrida. Games de fliperamas como “Out Run”, “Zip Race” “Super Off-Road”, “Rally-X”, assim como produções para Atari, como “Enduro” faziam parte do mesmo balaio. Tinha corrida de tudo: barco, cavalo, motoca, era uma festa. Aí surgiram os simuladores para computador, com seus gráficos poligonais, mas com uma reprodução de física que buscava fidelidade com a realidade. 

Mas com a chegada das gerações 32 bits e das mídias em disco os games para consoles evoluíram. Ao mesmo tempo, os PCs também receberam seus kits multimídia (drive de disco, placa de áudio, caixa de som e microfones) que tornaram seus games mais amigáveis e com a possibilidade de expandir o armazenamento das mídias para absurdos 650 MB. </CW><CW20>

Expansão

Assim surgiram franquias como “The Need For Speed”, “Gran Turismo”. E outras que já existiam no PC, como “Test Drive”, foram se sofisticando. E com consoles mais poderosos e PCs mais amigáveis, muitas produções passaram a ter desenvolvimento para múltiplas plataformas. Um mesmo jogo tinha versão para PC, Saturn e PS1. E a coisa foi evoluindo para uma mistureba que, mais tarde gerou o chamado simcade.

O simcade nada mais é que um game que busca uma jogabilidade mais desafiadora, mas sem ser tão realista como um simulador. Ele é mais difícil que um arcade, mas negligencia comportamentos dinâmicos precisos de um automóvel, que se obtém nos simuladores mais refinados. Mas nem por isso é menos interessante. 

Escolha

Mas qual jogar: arcade, simcade ou simulador? Bom...depende do que você busca, diversão ou competição? Mas, vamos lá!

Arcade

Need For Speed Heat (PC, PS4 e Xbox One) 
“NFS” foi pioneira na convergência dos games de PC e consoles, em 1994. “Heat” é o episódio mais recente da franquia. Ele segue a mesma receita definida em 2003, com “Underground”: corridas de rua e modificação de carros. Nesse jogo dá até mesmo para customizar o visual do personagem. A jogabilidade é extremamente simples e seu carro é indestrutível, sem menor pretensão de realismo 

The Crew 2 (PC, PS4 e Xbox One)
Está série foi a aposta da Ubisoft para entrar no mercado de jogos de corrida. Ela criou um game que mistura carros, motos, barcos e aviões. Suas provas desafiam todas as leis da física. Saltos com um Porsche sobre prédios, corridas de lancha com cataratas, provas aéreas entre sequoias. Ele consegue atrair a ira de um jogador de “iRacing” e “Flight Simulator” ao mesmo tempo. Mas é uma delícia para quem apenas se divertir.

Simcade

Gran Turismo Sport (PS4)
A popular série de corridas para PlayStation teve apenas uma edição para PS4 e apostou suas fichas em provas de eSports, com um calendário repleto. Todo dia se pode entrar e participar de uma das corridas, assim com se inscrever em campeonatos. “Gran Turismo” ajudou a moldar o formato simcade, há 25 anos. Ele oferece física mais apurada que um arcade, condução mais complexa, mas longe de ser fiel às leis da física. 

Forza Motorsport 7 (PC, Xbox One)
“Forza” nasceu para ser o “Gran Turismo” do Xbox e foi além. Hoje a franquia divide-se na série “Motorsport” e “Horizon”. A primeira focada no simcade, com nível de pilotagem mais avançado, provas em autódromos e diferentes regulagens dos carros. Já “Horizon” é um game de mundo aberto, com provas insanas e extremamente divertidas, bem aos moldes de “Need For Speed”. 

Simulador

Assetto Corsa (PC, PS4 e Xbox One)
“Assetto” chegou ao mercado no final de 2013 e se firmou como um dos grandes games de simulação. Nele há uma lista respeitável de carros e pistas. O game permite ajustar todos os parâmetros do carro. É um game difícil, ideal para disputas em rede, principalmente na edição para PC. Mas é preciso um computador de alto desempenho, bom volante, pedaleira e se possível um cockpit para extrair o máximo. Esse game é para quem busca competir para valer.

iRacing (PC)
“iRacing” rivaliza com “rFactor” a preferências dos pilotos virtuais. O jogo se transformou num grande ecossistema de corridas, em que é preciso pagar assinatura para correr. Com foco total em competições, é um jogo que atualmente realiza campeonatos que chegam a pagar até US$ 100 mil em premiações. Mas para correr bem, além de treino e dedicação, é necessário um investimento pesado em hardware, como cockpit, volantes e PC, que partem de R$ 10 mil até R$ 200 mil.