Não é de hoje que artistas consagrados em seus gêneros musicais decidem se aventurar pelo universo infantil. Até mesmo o “Rei do Country” Johnny Cash já embarcou nesse meio quando lançou o disco “Johnny Cash Children’s Album”, em 1975. Outra majestade da música, agora em terras brasileiras também já se infiltrou no universo dos pequenos: Chico Buarque reuniu um time dos sonhos da MPB e lançou, em 1977, o clássico “Os Saltimbancos”. 

Mas não são apenas as figuras da cultura pop que embarcam nessa jornada: até a música erudita entra nessa – e vai muito além das versões de ninar costumeiramente direcionadas aos bebês. Um dos exemplos é o projeto que a Orquestra de Ouro Preto lança no domingo, em Belo Horizonte. Com bonecos, narração e, claro, música clássica, a Orquestra mergulha na obra clássica do francês Antoine de Saint-Exupéry, “O Pequeno Príncipe”. “Estamos sempre preocupados em produzir projetos originais, novos”, pontua o maestro Rodrigo Toffolo, justificando o projeto. 

Além da busca por novidades, ele explica que a empreitada é também uma forma de se aproximar do público mais jovem. O desejo é de que as crianças tenham uma experiência única e importante, que é a ida ao teatro, e que tenham a oportunidade de ver uma orquestra, ver um espetáculo acontecendo”, pontua o maestro.

Para isso, a Orquestra aposta em um mergulho fiel à obra de Exupéry. “Mantivemos os principais temas. Está tudo lá: a rosa, a raposa”, enumera. O concerto tem ainda outros desdobramentos: marca o lançamento de um álbum que traz todo o espetáculo gravado. “É um disco para que os pais possam ouvir com os filhos, colocar no carro, tornar bem acessível”, sublinha. 

Bossa Nova

Presente no imaginário de quase todos os brasileiros, as canções e poemas de Vinícius de Moraes são parte do repertório de muitas gerações e, são relacionados, principalmente ao universo dos adultos. Mas foi, remando contra essa corrente que em 2008, teve início o espetáculo “A Arca de Vinícius”, que retorna à capital neste domingo. 

Criado para celebrar os 50 anos da Bossa Nova, o musical coloca em cena “A Arca de Noé”, obra do compositor, cantor e poeta brasileiro. “Quando pensamos no espetáculo, não tínhamos conhecimento de nenhum outro que tivesse esse conteúdo”, conta Fernando Bustamante, diretor da Cyntilante Produções.

Assim como Toffolo, ele vê nesse tipo de produção a possibilidade de divulgar a cultura do país e, também, de formar um jovem público mais atento a essa produção. “O espetáculo é uma chance para que a bossa nova se reverbere em casa, na escola e que contribua também para a formação cultural da própria criança”, acredita. 

PLURAL ARTE

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