Preferência entre os brasileiros, a cerveja é uma das bebidas mais versáteis para acompanhar uma refeição. Na verdade, pode chegar à mesa até como tempero de receitas salgadas e doces. O segredo é fazer o casamento perfeito, harmonizando os ingredientes do prato com o que se espera dele. 

A dica da chef Cidinha Lamounier é equilibrar os sabores. Professora no curso de gastronomia das Faculdades Promove, ela diz que pode até não parecer, mas utilizar a bebida na cozinha exige cautela. “A lógica é parecida com a que usamos com vinho. Se a carne for muito forte, o ideal é uma cerveja mais encorpada”, ensina, sugerindo as IPAs, que têm amargor pronunciado, para as carnes vermelhas.

Embora não haja uma receita que valha para todo prato, harmonizar a bebida mais consumida entre os brasileiros pode ficar mais fácil com a regra da similaridade. O motivo é que os ingredientes se complementarão no prato, ao invés de sobressaírem ao outro. 

Escolhas 

Estabelecimento localizado no bairro Santa Tereza, Zona Leste de BH, o Protótipo Bar, tem uma extensa carta de cervejas e optou exatamente por complementar os sabores da cerveja stout com um ragu de lagarto, de sabor pronunciado. “Uma cerveja extremamente amarga em um alimento leve deixaria o gosto acentuado demais. O ideal é equilibrar os sabores”, justifica o sommelier Lucas Zacharias. 

Nutricionista e sócia do buffet Fora do Comum, Camila Bitencourt fez escolha parecida para o picadinho de filé, que ganhou sabor extra da cerveja preta. “Um frango combinaria mais com uma cerveja mais leve”, ensina.

A escolha do chef Maycon Mendes foi diferente. Para dar leveza à carne de pato, que tem personalidade, o cozinheiro, que comanda o Baby Beef, optou por uma pilsen, pouco lupulada. 

Confira: 

Cerveja na comida

CONTRASTANTE - Chef de cozinha na churrascaria Baby Beef, Maycon Oliveira escolheu a cerveja pilsen, que é mais leve e delicada, para marinar a carne de pato, que tem sabor bem marcante. A lógica, segundo ele, foi equilibrar os sabores e não deixar que a bebida sobressaísse à carne. Cervejas claras também são indicadas para preparar reduções e molhos 

Cerveja na comida

POTÊNCIA DE SABOR - Perfil maltado, com notas de café e chocolate, da cerveja tipo stout foi a escolha de Lucas Zacharias, sommelier do Protótipo Bar, para o ragu de lagarto, recheio dos pasteizinhos. Temperada com alho, pimenta, sal, molho inglês e cebola, a carne é cozida por 30 minutos na bebida, que confere mais suculência ao corte saboroso e com bastante personalidade

Cerveja na comida

PICADINHO REFINADO - Camila Bitencourt, do buffet Fora do Comum, escolheu uma cerveja preta levemente adocicada como tempero extra do picadinho de carne. A nutricionista quis provar que a bebida queridinha entre os brasileiros pode acompanhar mais do que pratos sofisticados, dar um toque inusitado também em receitas simples, preparadas no dia a dia. Para acompanhar a porção, experimente uma farofa de castanha de caju com farinha de mandioca e manteiga. Confira a receita abaixo

RECEITA:

Picadinho na cerveja com farofa de castanha

Receita do buffet Fora do Comum

- Ingredientes:

Para a carne

- 500g de iscas de filé
- 1 lata de cerveja preta (não precisa usar todo o conteúdo)
- 100ml de molho de tomate
- Sal a gosto

 Para a farofa

- 80g de manteiga
- 300g de farinha de mandioca
- 100g de castanha xerém (de caju)
- 150g cebola picada
- Sal a gosto
- Salsinha picada

Modo de preparo:

Leve a carne ao fogo com um pouco de sal. Acrescente o molho de tomate, que pode ser feito em casa, com tomate fresco. Adicione aos poucos a cerveja preta. Experimente. Se necessário, acrescente mais cerveja. Para a farofa, refogue a cebola na manteiga, acrescente a farinha e a castanha. Tempere com sal e salsinha picada.

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Sócia na Academia Sommelier de Cerveja, em BH, Fabiana Arreguy reforça que não existe um truque quando o assunto é o uso da bebida na gastronomia. Na opinião da especialista, é preciso conhecer a composição dos rótulos antes de fazer uma escolha. “A grande maravilha da cerveja, disponível em mais de 120 estilos, é possibilitar inúmeras combinações, incluindo chocolates, ovos ou aspargos, difíceis de harmonizar com vinho, por exemplo. A escolha vai depender da receita e do resultado que o cozinheiro pretende alcançar, lembrando que as de amargor elevado, quando reduzidas, ficam ainda mais pronunciadas”, afirma a sommelier.

Assim como permitem combinações na panela, cervejas também podem ser incorporadas em diferentes momentos do preparo de um prato. À exceção da flambagem, que não funciona bem devido ao baixo teor alcoólico, é possível marinar e até cozinhar o alimento por completo no líquido. “Para uma marinada, importa mais os perfis do malte, bem claro ou torrado ao extremo, e do lúpulo, que pode deixar a receita mais ou menos amarga. Já para cozinhar é preciso conhecer o perfil da bebida para obter um resultado agradável”, detalha. 

Quem quiser fazer bonito na cozinha pode apostar em combinações já testadas e aprovadas, ensina a sommelier. “Carnes de porco e caça, mais gordurosas, com IPAs; cervejas de trigo com salsichas brancas e maionese de batata e carnes de boi braseadas com uma stout”, diz.

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