Criada em 2014 para difundir e incentivar a produção audiovisual de realizadores afrobrasileiros, a “Mostra CineAfroBH” chega à terceira edição colocando em cena temáticas relacionadas aos quilombos urbanos, à fé e à cultura de matrizes africanas. 

A maratona cinematográfica, com dez filmes entre junho e julho, começa hoje no Quilombo dos Luízes, no bairro Grajaú, região Oeste de Belo Horizonte. A entrada é gratuita. 

Idealizadora do projeto, a cineasta Carem Abreu destaca a opção pela exibição dos filmes em espaços significativos, como quilombos e terreiros de candomblé. 

“A ideia é proporcionar à comunidade uma compreensão de que aquele lugar tem uma atividade que é patrimônio cultural imaterial”, pontua.
Assim, a programação também coloca em destaque mestres de cultura dos espaços que recebem as sessões. No Quilombo dos Luízes, quem ganha o tributo são as matriarcas Maria Luzia, Maria Lucia e Júlia, que também tem a história contada em “Eles Sempre Falam por Nós”, documentário da mineira Carina Aparecida, uma das três produções que compõem a abertura. 

Carem destaca a importância das figuras na comunidade. “Fizemos uma exibição sobre a sambista Dona Eliza, na primeira edição da mostra. Depois disso, ela nos contou que a relação das pessoas com ela mudou. As pessoas da comunidade a percebiam e a olhavam com um olhar mais respeitador”, exemplifica.

Além de ressaltar a relevância de mestres e matriarcas, a cineasta sublinha a mostra como um importante instrumento de representação e conhecimento. “Ela traz a possibilidade de que as pessoas compreendam a importância do fazer cultural dessa região e também como o cinema pode ser um local para que as pessoas se vejam na tela e entendam a própria história”, acredita. 

Abertura da 3ª Mostra CineAfroBH, das 18h às 21h, no Quilombo dos Luízes (rua Artur Ferrari, esquina com Alves Pinto – Grajaú). Entrada gratuita. Programação completa em mostracineafrobh.com