Apesar da pegada sexy, justa e decotada explorada pelas marcas Yves Saint Laurent e Versace nas semanas de moda internacionais, finalizadas em 3 de outubro com a Paris Fashion Week, o comfortwear segue reinando nas coleções de aclamadas grifes. A confecção das peças preza, acima de tudo, pelo aconchego e bem-estar, sem deixar de lado a elegância.

“Quando a pessoa pensa em uma roupa confortável, logo vem à cabeça malhas, pijamas, moletons. Mas, o confortável é o que te deixa à vontade, sem a preocupação se o decote saiu do lugar ou se a saia subiu”, destaca Bharbara Renault, estilista da mineira Jardin.

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Com matérias-primas sustentáveis ou mesmo alto percentual da produção feito em tecidos naturais a exemplo de linho, algodão e os tecnológicos como a poliamida 100%, as marcas que têm o comfortwear como essência destacam a necessidade de a pele respirar e de uma peça bem cortada e modelada.

Comfortwear, roupa confortável

À esquerda: O conceito de conforto na roupa pode estar ligado aos tons neutros. No entanto, itens como os da Jardin provam que não é bem assim / À direita: “Acho que você não precisa estar com roupa muito justa, pode estar bonita, elegante e confortável”, diz Bharbara Renault, estilista da Jardin 

“Se a roupa é pensada na própria modelagem, permite uma mobilidade grande e um conforto para quem está usando. É possível estar bonita e elegante com uma roupa que não é muito justa”, coloca Bharbara Renault.

Gláucia Froes, diretora-criativa da Plural, concorda. “Sempre trabalhamos com tramas que dão mais conforto, deixam a pele respirar. Os shapes não são estruturados e as mulheres se sentem chiques mesmo assim. Acredito que a mulher não tem que se expor ou mostrar o corpo todo para se sentir sexy”, diz a estilista.

Comfortwear, roupa confortável

À esquerda: “A Plural atende a uma mulher mais madura ou uma jovem que gosta de conforto”, coloca Gláucia Froes, diretora-criativa / À direita: Da Plural, conjunto de saia e blazer é mais solto do corpo mas, mesmo assim, é cool e imprime elegância

“O conforto não tem receita e não necessariamente mora em roupas largas e longas. Caminhamos muito com a liberdade da escolha”
Júlia Zingoni
Diretora-criativa da Água Fresca

Demanda

Os 30 anos de experiência na produção de roupa íntima mostraram à Água Fresca Lingerie o quanto as demandas das mulheres em relação à moda se alteraram desde o fim da década de 1980, quando a marca mineira foi lançada. “A lingerie caminha junto com elas, de acordo com os novos hábitos culturais”, expõe Júlia Zingoni, diretora-criativa da grife.

Os novos desejos certamente deixaram para trás a máxima “para ser bonita é preciso sofrer”. Bem-estar, conforto e beleza formam um trio que parece ter vindo para ficar na moda.

Júlia e a equipe da marca observaram, há pouco mais de dois anos, que algumas clientes começaram a montar looks com peças desenvolvidas para estar em casa, como os caftãs. Acabou, aí, surgindo uma demanda delas por itens confortáveis para sair.

“Foi uma coisa natural transcendermos as barreiras do lar. Oficialmente, nossa primeira coleção com esse intuito foi a do Verão de 2016”, relembra a estilista.

Atualmente, a Água Fresca aposta em pantacourts, caftãs longos e curtos, camisetas, pantalonas e camisolas. Tudo para usar no dia a dia. São fabricadas em tecidos fluidos, frescos, leves e sem transparência. 

Opostos

As grifes Versace e Stella McCartney propuseram, respectivamente, nas semanas de moda de Milão e Paris, uma moda com a presença de cores fortes e com muita jovialidade, porém, com níveis de conforto distintos.

Enquanto a Versace, assim como Yves Saint Laurent, expuseram peças decotadas, coladas ao corpo e com ombros à mostra, McCartney explorou o bem-estar proporcionado por itens fluidos, mesmo aqueles mais curtinhos.

Versace x Stella McCartney

Versace, à esquerda, e Stella McCartney, à direita

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